Gustavo Lima/Câmara dos Deputados
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Bonifácio nega traição do PSDB e se diz honrado por ter vaga do PSC na CCJ

Relator da denúncia contra Temer atribuiu destituição de seu partido a ato político 'da consciência' do líder tucano Ricardo Trípoli

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2017 | 19h01

BRASÍLIA - Com sua permanência garantida na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, o deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) negou ressentimento com a cúpula do partido por tê-lo destituído do colegiado. Nesta tarde, o PSC cedeu sua única vaga de suplente no colegiado para que o tucano continuasse na relatoria da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer.

Bonifácio disse que sua destituição se deveu ao fato de a liderança do PSDB concluir que sua permanência na comissão não era conveniente e reconheceu o conflito criado na bancada a partir da sua indicação. Ele atribuiu a decisão a um ato político "da consciência" do líder Ricardo Trípoli (SP), que apesar da "elegância" e da "delicadeza" no trato dispensado a ele, acabou retirando-o da comissão. Ele negou que tenha se sentido traído pelo partido. "De forma alguma, isso faz parte do jogo político", respondeu.

+++ Relator da denúncia é de família que está no Congresso desde a Proclamação da República

O tucano contou que aceitou o convite para relatar o processo por entender que era sua obrigação ajudar a CCJ. E agradeceu o espaço cedido pelo PSC para continuar no colegiado. "Me honrou muito ser o PSC, que me abriu as portas para que eu continuasse aqui", afirmou.

+++ RELEMBRE: VOTAÇÃO DO RELATÓRIO DE ABI-ACKEL NA CCJ 

O deputado deve entregar seu parecer na próxima terça-feira, 10, e disse que não pretende procurar nem os advogados de defesa, nem os acusadores. "Não é bom conversar direito com advogados dos denunciados. Ficaria confuso", alegou.

Como relator, Bonifácio tem direito a voto na votação da segunda denúncia, mesmo estando na suplência do PSC. Assim, o tucano substituirá o voto do único titular do PSC na comissão, o líder do governo no Congresso, deputado André Moura (SE).

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