Bombeiros fazem escavação manual para localizar corpos

Após mais 20 horas de trabalho no local onde o avião caiu, sob chuva e frio, equipes relatam dificuldades no resgate aos restos mortais de Campos e das outras seis vítimas

Diego Zanchetta e Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

14 de agosto de 2014 | 08h33

Atualizado às 9h30

SANTOS - Os 39 bombeiros que passaram a madrugada desta quinta-feira, 14, no local do acidente que matou o candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, e outras seis pessoas no Boqueirão, em Santos, chegaram a fazer escavações manuais para tentar localizar restos mortais das vítimas. Sob chuva forte, frio de 11 graus e com pequenas lanternas em mãos, os bombeiros conseguiram entrar por volta das 5 horas na cratera onde estava a cabine e quatro poltronas da aeronave. Ali estavam os maiores pedaços de corpos das vítimas.

Nesta manhã, após mais de 20 horas de trabalho, alguns bombeiros chegaram a ficar emocionados com a proximidade do final dos trabalhos. No início da manhã, uma última vistoria nas casas e no ponto da explosão era realizada pela corporação e pelos peritos da Polícia Científica. Na equipe de resgate, até os profissionais mais experientes, que já participaram de buscas após tragédias como a explosão do Osasco Plaza Shopping, em 1996, ou no acidente da estação Pinheiros do Metrô, em 2006, contaram que o trabalho de resgate feito na madrugada em Santos foi o mais difícil já feito.

"Muitas vezes, durante a madrugada, paramos de usar a retroescavadeira quando achávamos algum pedaço da aeronave onde poderia estar algum corpo. Por isso a gente fazia a escavação com pazinhas mesmo, para não fragmentar ainda mais esses restos mortais", relatou Cassio Roberto Armani, comandante dos Bombeiros do interior paulista. "O mais difícil era o cheiro insuportável de querosene e sangue coagulado, a falta de luz. Nunca passei por um trabalho tão exaustivo em mais de 30 anos", acrescentou o comandante. 

Armani explicou que nenhum corpo foi encontrado intacto. Além das partes de vítimas que estavam na cabine, os bombeiros localizaram restos mortais nos telhados das casas próximas do acidente e dentro do canal 3, ao lado da Avenida Washington Luis, a 100 metros do local do acidente. A carteira com os documentos do ex-governador de Pernambuco foi localizada por volta das 5h10.

Uma equipe da Polícia Federal com quatro peritos chegou por volta das 7h40 ao Instituto Médico Legal Central, na capital, para ajudar na análise dos corpos das vítimas do acidente. Por se tratar de um candidato à Presidência, a PF também instaurou um inquérito para investigar as causas de morte.

Mais um carro do IML vindo de Santos chegou ao IML Central por volta das 7h40, com sacos contendo restos mortais das vítimas. Até as 9h30, o IML Central recebeu 11 sacos e foram feitas duas viagens de Santos a São Paulo. Segundo funcionários do IML, um terceiro carro está em Santos aguardando a varredura final do Corpo de Bombeiros no local da queda do avião. 

Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública, ainda não há prazo para a identificação dos corpos. Por volta da 1h, o dentista de Eduardo Campos deixou o IML. Ele trouxe um molde da arcada dentária do ex-governador de Pernambuco. Até as 8h, ele não havia retornado.

Investigações. Além dos bombeiros, peritos do Cenipa 4 e da Polícia Federal também passaram a madrugada ouvindo depoimentos de moradores e pegando fragmentos da aeronave e do solo da cratera onde estava encravada parte da aeronave. As turbinas e a caixa preta já estão sob análise de agentes da Aeronáutica.

"Pela forma como a aeronave caiu, de bico, na forma vertical, é um indício de que pode ter ocorrido algum problema com a aeronave ainda no ar, pois ela não estava 'plainando' no momento da queda. Como algumas pessoas relataram que a turbina também já estava pegando fogo no ar, e ela caiu na vertical, são grandes as possibilidades de algum problema mecânico ou pane ter ocorrido no jato antes da queda", afirmou ao Estado um perito do Cenipa que estava no local do acidente na madrugada.

A partir das 9 horas, os órgãos envolvidos no resgate vão fazer uma reunião para decidir como será o isolamento da região do acidente. Ao todo 13 imóveis estão interditados e cerca de 50 pessoas foram alojadas em casas de parentes e amigos. Aos moradores, a Defesa Civil de Santos ainda não deu um prazo para os peritos analisarem os imóveis que serão liberados ou não.

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