Reprodução/YouTube
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Ex-ministros de Bolsonaro criticam aliança com o Centrão

Abraham Weintraub e Ernesto Araújo criticaram a aproximação do presidente Jair Bolsonaro com partidos e congressistas do Centrão; para o ex-ministro da Educação, conservadores foram 'substituídos' pelo bloco

Davi Medeiros, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2022 | 13h10

Os ex-ministros Abraham Weintraub, da Educação, e Ernesto Araújo, das Relações Exteriores, criticaram a aliança do presidente Jair Bolsonaro (PL) com parlamentares do Centrão. Em live nesta segunda-feira, 17, os ex-auxiliares do governo apontaram que o chefe do Executivo se afastou das pautas ideológicas pelas quais foi eleito. Na avaliação de Weintraub, o mandatário teria “substituído” a ala conservadora do Executivo federal por integrantes do bloco político.

Ernesto Araújo, que deixou o cargo de ministro em março de 2021, afirmou que perdeu poder no governo quando o presidente começou a se aproximar do Centrão. Segundo ele, o bloco teria passado a pautar a gestão federal conforme os interesses da China, impedindo que ele levasse adiante o que ele classificou como projeto “transformador” de política externa. “Quando o Centrão começou a dominar o governo, fui cada vez mais isolado”, disse. 

Em sua gestão, Araújo foi criticado por ofender e criar atritos com o país asiático, um dos principais parceiros comerciais do Brasil.  

O ex-chefe do Itamaraty dissertou sobre a cultura da China, que, segundo ele, o Centrão tenta perpetuar no Brasil. Para ele, o país asiático representa o oposto dos valores defendidos por Bolsonaro, como a religião. Araújo disse que costuma chamar o Progressistas, que atende pela sigla PP, de “Partido de Pequim”. Os ministros Fábio Faria, das Comunicações, Flávia Arruda, da Secretaria de Governo, e Ciro Nogueira, da Casa Civil, estariam tentando transformar o País em uma “colônia chinesa”, segundo ele.

“O Centrão acha que política externa é fazer tudo o que a China quer”, completou. 

Abraham Weintraub, por sua vez, afirmou que o bloco político encabeçado pelo Progressistas representa um “obstáculo” à pauta ideológica do bolsonarismo. Os conservadores, segundo ele, passaram a sofrer ataques constantes desde que foram substituídos “pela turma do Centrão”. 

O pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, saiu em defesa do presidente e argumentou que Bolsonaro não teria governabilidade se não cedesse ao bloco. Principal entrevistado da live, Malafaia citou trechos bíblicos para justificar a ação do presidente, que, segundo ele, sofreria um impeachment se não fizesse alianças com sabedoria. 

Como mostrou o Estadão, o apoio do Centrão não é garantido a Bolsonaro nas eleições deste ano. O bloco político deve se opor a candidatos bolsonaristas em ao menos cinco Estados. Em São Paulo, Pernambuco, Piauí, Ceará e Maranhão, líderes e parlamentares de partidos como PL, Progressistas e Republicanos – tripé de sustentação do governo federal – resistem a romper com adversários do Palácio do Planalto e traçam saídas para manter espaços em círculos petistas ou do PSDB.

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