Reprodução/Facebook/Jair Messias Bolsonaro
Reprodução/Facebook/Jair Messias Bolsonaro

Bolsonaro volta a fazer atos de rua e diz que não dará 'cavalo de pau' no governo

Após motociata no Paraná, presidente discursou a apoiadores e afirmou que a 'renovação existe' e seu limite no cargo é de oito anos

Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2021 | 16h36
Atualizado 08 de novembro de 2021 | 10h32

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro disse neste sábado, 6, que “alguns” gostariam que ele desse um "cavalo de pau" em seu governo, mas afirmou rejeitar a ideia, uma vez que a “renovação existe”. Sem detalhar o que seria exatamente esse “cavalo de pau”, Bolsonaro afirmou a apoiadores em Ponta Grossa (PR) que seu limite no cargo de presidente é de oito anos - caso seja reeleito em 2022.

O chefe do Executivo participou na manhã deste sábado, 6, de nova motociata com apoiadores no Paraná. O grupo partiu da cidade de Piraí do Sul e foi até Ponta Grossa. Bolsonaro cumpre agenda na região desde sexta, quando participou de um evento fechado a convidados. Em discurso, afirmou que a cassação do mandato do deputado estadual Fernando Francischini (PSL) foi um “estupro” e uma “violência contra a democracia”.

O encontro com apoiadores foi transmitido pelas redes sociais do presidente ao longo deste sábado. Bolsonaro não apareceu usando máscara de proteção contra a covid-19 em nenhuma das gravações. Apesar das determinações estaduais, parte dos convidados e apoiadores que participaram dos eventos de sexta e sábado em Ponta Grossa não usavam a máscara, incluindo membros do Executivo municipal.

A prefeitura chegou a publicar um decreto no final de outubro em que restringiu a obrigatoriedade do uso de máscara de proteção apenas em ambientes fechados. A Secretaria da Saúde do Paraná, contudo, contestou a validade da regra, já que o decreto estadual não libera a utilização do item em ambientes abertos. “O Paraná mantém a utilização de máscaras. Há também legislação estadual que baliza essa determinação”, disse em nota. O caso também chamou a atenção do Ministério Público, que instaurou um procedimento administrativo e solicitou à Prefeitura Municipal informações a respeito do ato normativo.

Em discurso realizado ao final do passeio, no Centro de Eventos de Ponta Grossa, ele também disse ver possibilidades de renovação no Judiciário, principal alvo de críticas de aliados e seguidores de Bolsonaro. Desde as manifestações de teor antidemocrático do feriado de 7 de Setembro, o presidente tem adotado um tom mais moderado para falar de política e da relação com os demais Poderes. Antes, porém, era comum desferir ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e, principalmente, a alguns de seus ministros.

“O Brasil é um grande navio, um transatlântico. Alguns querem que eu dê um cavalo de pau, não dá. A renovação existe. Um dia a prefeita vai nos deixar, eu também, o vice (prefeito), a líder…”, disse Bolsonaro, ao lado da prefeita de Ponta Grossa, Elizabeth Schmidt (PSD). O líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), também acompanhou o presidente no passeio.

“E no Judiciário também tem renovação”, emendou o presidente. Uma apoiadora, cuja identificação não é possível ser feita na transmissão, reagiu gritando “não vai ter nunca”. Bolsonaro, então, insistiu. “O Judiciário também vai ter renovação. Quem se eleger presidente ano que vem indica dois ministros do Supremo no início de 2023. Vai mudando, vamos oxigenando. E nós não podemos ficar eternamente no poder, isso não é bom. O meu limite aqui são oito anos, o da prefeita são oito anos”, afirmou.

Em 2023, os ministros Ricardo Lewandowski e Rosa Weber completarão 75 anos de idade, o limite para a aposentadoria compulsória dos membros da Corte.

'Cara de capivara'

Minutos depois, no mesmo discurso, o presidente atacou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, feita pelo Senado Federal. O parecer do relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), sugeriu o indiciamento de Bolsonaro, três filhos e mais 62 pessoas pelas condutas e omissões no combate à pandemia no Brasil.

“A única acusação bombástica da CPI do (senador) Omar Aziz (presidente da comissão) foi ‘temos um presidente que é motoqueiro’”, disse Bolsonaro, imitando a voz do parlamentar. “Aquela ‘cara de capivara’ me chamando de motoqueiro. Me acusou, como se eu fosse ficar indignado”, acrescentou.

Em julho, o presidente da CPI, o senador Omar Aziz (PSD-AM), rebateu ataques de Bolsonaro à CPI e chamou o chefe do Executivo de “péssimo presidente”. Na ocasião, Aziz foi acusado de cometer abuso de autoridade ao ordenar a prisão do ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias. "Abuso de autoridade são as mortes, é a omissão, é ser complacente com um governo que não tem um milímetro de solidariedade", disse. "É uma pessoa que não tem sensibilidade, agressor de mulheres, gosta de gritar com as mulheres, mas adora andar de moto. Grande motoqueiro o Brasil tem, péssimo presidente o Brasil tem."

Aziz ordenou a prisão de Dias por considerár que o ex-diretor mentiu ao negar que havia se encontrado com o policial militar Luiz Paulo Dominghetti durante sessão da CPI.

Retomada da agenda de rua

A motociata deste sábado marca a retomada dos passeios do presidente com apoiadores. Desde maio, e sem contar o evento deste sábado, o presidente participou de 12 encontros do tipo; este é o primeiro no Paraná.

Nas eleições de 2018, Bolsonaro foi o candidato preferencial dos moradores de Ponta Grossa já no primeiro turno, quando obteve 59,96% dos votos; o candidato do PT, Fernando Haddad, conquistou 12,01%. No segundo turno, Bolsonaro conquistou 73,75% dos votos no município. O presidente adotou estratégia semelhante - de atender a sua base eleitoral - na última motociata em que participou, realizada em Santa Cruz do Capibaribe (PE), no dia 4 de setembro: a cidade foi a única daquele Estado em que ele conquistou a maioria dos votos ainda no primeiro turno.

Bolsonaro também participou de eventos do tipo no Distrito Federal e nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Goiás e Minas Gerais. Em discursos realizados ao final dos eventos, o presidente chegou a defender a volta do voto impresso, a atacar membros do STF e adversários políticos, além de criticar as medidas de distanciamento social impostas para controle da pandemia./ COLABOROU GUSTAVO QUEIROZ e BRENDA ZACHARIAS

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