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Bolsonaro volta a criticar isolamento social: 'Não dá para continuar assim'

Brasil registrou 1.039 novas mortes pela covid-19 nas últimas 24 horas, segundo balanço do ministério da Saúde desta terça-feira

Vinícius Valfré, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2020 | 19h57

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro voltou a se posicionar contra as medidas de isolamento social para combater o novo coronavírus. Em entrevista nesta terça-feira, 26, o presidente afirmou que não dá mais para a economia continuar fechada.

"Sabemos que devemos nos preocupar com o vírus, em especial os mais idosos, quem tem doenças, quem é fraco, mas (sem) essa de fechar a economia. 70 dias a economia fechada. Até quando isso vai durar?", questionou o presidente, que não fazia uso da máscara, item obrigatório em todo o Distrito Federal. "Nós vamos enfrentar isso daí, eu lamento. Eu estou com 65 anos de idade, eu estou no grupo de risco."

A fala de Bolsonaro ocorreu antes de o ministério da Saúde divulgar o registro de 1.039 novas mortes causadas pela covid-19 nas últimas 24 horas. Com o balanço desta terça, o total de óbitos pela doença no País passou para 24.512. O isolamento social é recomendado pelas autoridades de saúde do mundo como único método eficaz para combater o novo coronavírus.

Em entrevista, Bolsonaro voltou a se queixar do Supremo Tribunal Federal (STF), que deu aos governadores o poder de decidir sobre medidas de isolamento social, e repetiu o discurso de que é “fácil colocar uma ditadura no Brasil”, fala do presidente exposta em reunião ministerial que teve seu teor divulgado pelo Supremo na última sexta-feira. Segundo o presidente, as pessoas precisam se armar para impedir uma ditadura que seria implementada por prefeitos e governadores que adotaram medidas de isolamento social.

“Eu tenho obrigação como chefe de Estado de tomar decisões. Estou de mãos amarradas por decisão do Supremo Tribunal Federal que delegou a Estados e municípios essas medidas. Continuam chegando videos pra mim de pessoas sendo algemadas por estarem na rua. Isso não pode continuar assim. Como disse lá para o ministro, reservadamente, que eu não queria que tornasse público é fácil colocar uma ditadura no Brasil. O povo tá com medo dentro de casa”, afirmou.

Desde o início da pandemia, Bolsonaro tem afirmado que a doença que matou 347.836 pessoas no mundo até agora é uma "gripezinha" e respondeu com um "e daí?" questionamento de um jornalista sobre o crescente número de mortes no País.

Dois ministros da Saúde pediram demissão por discordar de suas ordens para o combate à pandemia. Atualmente, a pasta é comandada por um interino, o general Eduardo Pazuello, que aceitou liberar a coroquina para pacientes com sintomas leves da doença, o que seus antecessores na pasta discordaram por não haver comprovação científica da eficácia do medicamento.  

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