Reprodução/ YouTube/ Jair Bolsonaro
Reprodução/ YouTube/ Jair Bolsonaro

Bolsonaro deve receber alta neste domingo, diz médico

De acordo com Antonio Luiz Macedo, quadro clínico do presidente segue evoluindo de forma satisfatória

Brenda Zacharias, Renata Mesquita, Eduardo Rodrigues e Victor Sguario, especial para o 'Estadão', O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2021 | 13h27
Atualizado 17 de julho de 2021 | 18h34

O médico-cirurgião Antonio Luiz Macedo afirmou neste sábado, 17, que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deve receber alta médica neste domingo, 18. De acordo com Macedo, que parou para falar rapidamente com jornalistas na porta do hospital Vila Nova Star, na zona sul de São Paulo, o quadro clínico do presidente segue evoluindo de forma satisfatória. "O sistema digestivo de Bolsonaro está funcionando, já há passagem de alimentos, e está sem obstruções”, disse Macedo.

A equipe que acompanha Bolsonaro deve decidir nos próximos dias sobre a alimentação do presidente - a dieta deve passar de cremosa (consumida com colher) para pastosa (consumida com garfo), sem incluir alimentos fermentativos, que formam gases. Macedo afirmou que a recomendação é que Bolsonaro mastigue bem a comida, faça refeições leves e pratique exercícios regularmente, como caminhadas. Segundo o médico, a depender de avaliação médica, Bolsonaro estaria apto para voltar ao trabalho já na segunda-feira, 19. 

Bolsonaro está internado há quatro dias após apresentar um quadro de obstrução intestinal. Mais cedo, pelas redes sociais, o presidente compartilhou uma foto tomando sopa em seu quarto no hospital, além de ter participado virtualmente da inauguração de uma agência da Caixa Econômica Federal em Missão Velha, no Ceará, distante cerca de 530 quilômetros da capital Fortaleza. A participação do presidente foi transmitida em um telão instalado no local.

"Há poucos meses passei por aí durante uma missão. Fui muito bem recebido, joguei sinuca, tomei um refrigerante, e ao retornar perguntei como poderíamos ajudar vocês. Alguém respondeu que faltava uma agência bancária. Imediatamente, conversei com o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, que tem um plano de expansão de agências pelo Brasil", afirmou Bolsonaro, do leito hospitalar.

O presidente também lembrou que o banco estatal é o responsável pelos pagamentos do auxílio emergencial durante a pandemia de covid-19 e criticou governadores e prefeitos por terem adotado medidas de isolamento social e lockdown durante a crise sanitária. "Muitos governadores e prefeitos fecharam as cidades e os Estados, tirando o emprego e o ganha-pão de milhões de pessoas. O governo federal, juntamente com a Caixa e a equipe econômica, foi ao socorro da população", completou o presidente.

Emocionado, em meio a lágrimas, Pedro Guimarães relatou ter ido a São Paulo nesta semana quando soube da internação de Bolsonaro por causa de uma obstrução intestinal. "Eu estou bem, graças a Deus. O problema que tive nesta semana foi ainda em função da facada que recebi em 2018, uma questão de aderência. De vez em quando trava o intestino e a gente dificilmente deixa de realizar uma cirurgia, mas desta vez não foi preciso. Estou louco para voltar a trabalhar, rever os amigos, voltar para o seio da família, botar o Brasil para andar", respondeu Bolsonaro.

Também durante a manhã, o presidente recebeu a visita do deputado federal Cezinha de Madureira (PSD-SP). O parlamentar registrou o encontro com Bolsonaro em suas redes sociais. "A melhor notícia é que ele está bem e próximo de ter alta para continuar com seu trabalho por um Brasil melhor", escreveu na legenda de uma foto ao lado de Bolsonaro. 

Em sua conta pessoal no Twitter, Bolsonaro publicou um vídeo caminhando pelo corredor do hospital. Na imagem, o presidente está sem máscara - o que já tinha sido observado em outro vídeo - e acompanhando de um assistente. Junto do vídeo, ele escreveu: "Seguimos progredindo. Bom dia a todos".

Poucos apoiadores estiveram nas imediações do hospital durante o sábado. Cerca de 15 deles apareceram ao longo do dia e se concentraram na calçada. A maioria deles segurava bandeiras do Brasil ou cartazes com mensagem de apoio ao presidente. A maior concentração aconteceu por volta das 16h, quando sete deles conversavam entre si. Ao ar livre, nem todos usavam máscara.

A reportagem observou três tentativas de diferentes apoiadores de entrar no hospital, tanto em pequenos grupos quanto solitários. Todos foram, porém, barrados pela recepção. Alguns poucos motoristas também manifestaram apoio ao grupo ao passar em frente ao local, com a maioria gritando "Bolsonaro 22!" ou apenas o sobrenome do presidente.

Internação

Ontem, o presidente foi introduzido à alimentação líquida via oral após a retirada de uma sonda nasogástrica na noite de quinta-feira. Desde quinta-feira, 15, a equipe médica tem sinalizado que o quadro tem evoluído. Os documentos são assinados pelo médico Antônio Luiz Macedo e outros quatro profissionais que acompanham Bolsonaro.

Bolsonaro está internado desde a noite de quarta-feira, 14, após sentir fortes dores no abdômen. Segundo diagnóstico médico, ele sofreu uma obstrução no tubo digestivo por causa de dobra do intestino, o que impedia a passagem de alimentos. A sonda neogástrica, com isso, foi utilizada para levar alimentos e hidratação diretamente ao estômago.

Ao ser hospitalizado, Bolsonaro já apresentava crises de soluço há cerca de dez dias, o que estava relacionado com a obstrução no intestino. O presidente já passou por cirurgias na região do intestino desde 2018, quando sofreu um atentado a faca, o que aumenta a probabilidade do bloqueio.

Fotos

Na manhã de sexta-feira, Bolsonaro publicou uma foto em que aparece circulando pelo hospital e escreveu: “Em breve, de volta ao campo, se Deus quiser”, afirmou em agradecimento ao apoio que tem recebido. À tarde, postou outra imagem, com o celular em mãos e o seguinte texto: “Via internet, fazendo o possível para manter os compromissos. Despachando com os ministros.” À noite, ele recebeu a visita do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Postada pela primeira-dama Michelle Bolsonaro, uma outra foto que repercutiu nas redes sociais mostra Bolsonaro em pé, ao lado de uma mulher que está internada. O hospital Vila Nova Star informou que “caminhadas e circulação pelo corredor do andar costumam fazer parte da recuperação dos pacientes” e que, nesse caso, foi a paciente quem pediu para ser fotografada ao lado do presidente. Ainda segundo o hospital, todos os pacientes internados na unidade fazem teste para covid-19, o “que inclui o senhor presidente da República”.

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