Igor Estrela/Estadão
Igor Estrela/Estadão

Bolsonaro superestima economia com gastos públicos

Deputado Federal utilizou mais de R$ 760 mil além do que havia anunciado anteriormente

Daiene Cardoso e Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

10 Janeiro 2018 | 00h59

BRASÍLIA - Pré-candidato à Presidência da República, o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) tentou nesta terça-feira, 9, inflar sua economia com os gastos do "cotão" - verba que todo parlamentar tem disponível para custear suas atividades legislativas - e foi obrigado a admitir nas redes sociais que seus dados estavam incorretos.

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O deputado superestimou sua "economia" em quase R$ 800 mil. Em uma publicação no Facebook, Bolsonaro se gabava de ter "devolvido" aos cofres públicos mais de R$ 1,29 milhão no período de 2010 a 2017. Na mensagem, o deputado listava gastos totais de R$ 1.725.639,16 nos sete anos. Mas, segundo dados oficias e públicos da Câmara dos Deputados, Bolsonaro usou nesse período R$ 2.495.056,67.  Ou seja, o presidenciável utilizou R$ 769.417,51 a mais do que disse. Na prática, ele também deixou de utilizar menos dinheiro público do que afirmou, já que não existe "devolução" da verba parlamentar - e sim reembolso de despesas comprovadas.

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Horas após veículos de imprensa detectarem que os dados estavam errados, Bolsonaro republicou parte da tabela, em que foi obrigado a admitir que poupou apenas R$ 342 mil, entre 2015 e 2017, menos do que citara antes. "Republicado por incorreção nos valores publicados anteriormente", limitou-se a dizer o deputado em sua página na rede social, copiando o link para a página da Câmara, onde os dados podem ser checados por seus eleitores. Ele não apagou, porém, a postagem anterior.

Gastos. Entre fevereiro de 2015 e dezembro de 2017, período da atual legislatura, Jair Bolsonaro usou R$ 916.148,40 da cota parlamentar, cujo valor mensal varia conforme o Estado pelo qual o deputado se elegeu. Eduardo Bolsonaro gastou, segundo consta na Câmara, o total de R$ 985.554,36.

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Os principais gastos na atual legislatura têm sido com transporte (passagens aéreas e aluguel de carros), despesas com propaganda (divulgação do mandato) e custeio de escritórios. O deputado e o filho usam praticamente os mesmos fornecedores na Câmara. Os gabinetes são contíguos em Brasília, e os funcionários circulam entre os dois.

Bolsonaro está em recesso parlamentar no Rio, segundo sua assessoria, e deve retomar as atividades políticas em fevereiro. Seu gabinete, no entanto, continua funcionando normalmente na Câmara dos Deputados, dão expediente seus auxiliares responsáveis pelo marketing nas redes sociais.

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