Reprodução/Twitter
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Bolsonaro se reúne com secretário do DF cotado para ministério da Segurança

Encontro não estava em agenda oficial do presidente; bancada da bala defende outro nome para possível ministério - o ex-deputado Alberto Fraga

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2020 | 22h26

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro se reuniu com o secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Anderson Torres, na tarde desta quinta-feira, 4. O encontro não constou na agenda oficial do presidente, nem foi informado à imprensa.

A reunião ocorreu no mesmo dia em que Bolsonaro liberou a bancada da bala para "tocar" as discussões pela recriação do Ministério da Segurança Pública, área atualmente subordinada à pasta da Justiça. Torres é um dos cotados para assumir o comando do eventual ministério. O indicado da frente parlamentar da segurança pública, no entanto, é o ex-deputado Alberto Fraga (DEM), que também é amigo pessoal de Bolsonaro.

No Instagram, Torres compartilhou uma imagem ao lado do presidente. "Recebendo o presidente @jairmessiasbolsonaro na SSP/DF, nesta quinta-feira. Oportunidade de conversarmos e tratarmos de assuntos locais com relação à Segurança Pública!", afirmou o secretário.

Questionado sobre o encontro em frente ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro disse que foi renovar sua carteira de habilitação e encontrou Torres "por coincidência". "Fui no Detran, por coincidência ele trabalha do lado, batemos um papo", disse. "Eu estava renovando minha carteira de habilitação e tive também conversando com o secretário de segurança do Distrito Federal."

Bolsonaro já demonstrou preocupação em mais de uma ocasião com a segurança das manifestações de grupos intitulados antifascistas previstas para ocorrer em Brasília para o próximo domingo. No início da semana, ele chegou a recomendar que os seus apoiadores não deveriam fazer protestos no mesmo dia.

Após a escalada de tensão dos últimos dias, Bolsonaro deu ontem uma espécie de ordem unida e chamou manifestantes contrários a seu governo de “marginais” e “terroristas”. O gesto refletiu a preocupação expressada por aliados do governo nas redes sociais.

O presidente usou termos duros para se referir a integrantes de grupos - autointitulados antifascistas - que passaram a promover atos contra o seu governo. Na mesma linha, o vice-presidente Hamilton Mourão também classificou os participantes desses protestos como “baderneiros”, em artigo publicado ontem no Estadão.

Novos atos estão sendo chamados em outras cidades por grupos ligados a torcidas de futebol, agora engrossados pela Frente Povo sem Medo, organização que reúne movimentos sociais, centrais sindicais e partidos de esquerda. Em São Paulo as manifestações estão agendadas para o início da tarde na Avenida Paulista. O governo estadual proibiu atos rivais (contra e a favor de Bolsonaro) simultâneos na capital. Há manifestações já agendadas também no Rio, Salvador, Belo Horizonte e outras cidades.

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