Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Bolsonaro: 'Se errarmos, sabemos quem poderá voltar'

Em discurso, presidente ressaltou a importância da área econômica em seu governo e disse que as pessoas não podem se decepcionar com a gestão

Julia Lindner, Fabrício de Castro, Eduardo Rodrigues e Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

07 Janeiro 2019 | 13h23

O presidente Jair Bolsonaro voltou a destacar nesta segunda-feira, 7, a importância do sucesso da área econômica em sua gestão, além de elogiar o ministro da Economia, Paulo Guedes, diversas vezes no discurso que fez na posse de presidentes de bancos públicos e atacar veladamente a oposição. Em sua fala, o presidente reafirmou que o sucesso da economia terá reflexos em outras áreas, como geração de empregos e segurança pública, o que levará o Brasil a viver "dias melhores".

"Nós não podemos errar. Se errarmos, os senhores bem sabem quem poderá voltar. E as pessoas de bem, que foram maioria, não poderão se decepcionar conosco. Tenho certeza que com essa equipe econômica, com ministros, com militares das Forças Armadas, que passam a ter seu valor reconhecido, com essa grande equipe poderemos colocar o Brasil em destaque", declarou.

Bolsonaro agradeceu Guedes, a quem se referiu pelo duas vezes como amigo, por ter aceitado o convite para "buscar uma saída para a crise econômica que nós temos" e para fazer com que a população acredite no trabalho da nova gestão.

"Eu acredito nessa equipe composta por Guedes para conduzir não só o destino econômico, mas do Brasil", disse o presidente na cerimônia realizada no Palácio do Planalto.

Assumiram nesta segunda-feira os presidentes do Banco do Brasil, Rubem Novaes, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Joaquim Levy, e da Caixa, Pedro Guimarães.

Afagos 

Os elogios de Bolsonaro ocorrem após desencontros sobre as principais medidas econômicas dentro do governo. Hoje ele também disse que assumir o desconhecimento em muitas áreas "é sinal de humildade".  "O desconhecimento meu e dos senhores em muitas áreas e a aceitação disso é sinal de humildade. Tenho certeza, sem qualquer demérito, que conheço um pouco mais de política do que Guedes e ele conhece muito, mas muito mais de economia do que eu", disse o presidente.

Na semana passada, Bolsonaro deu informações que acabaram desmentidas pela equipe econômica sobre a mudança na tabela do Imposto de Renda e o aumento do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF). Também houve ruído sobre a proposta da Reforma da Previdência. Diante do imbróglio causado pelas falas de Bolsonaro, Guedes evitou falar com a imprensa na semana passada e chegou a desmarcar um compromisso público.

Nesta segunda, Bolsonaro também relembrou como conheceu Guedes, há cerca de dois anos, e disse que os dois construíram uma relação de amizade. "Quero agradecer ao ministro Guedes que acreditou em mim. Ele passou a me conhecer a partir daquele momento, há uns dois anos, e eu disse 'eu acredito no senhor'. Ele me falou que eu poderia chamar de você, mas nossa formação não permite isso. Nasceu ali uma amizade", discursou Bolsonaro.

Guedes, por sua vez, disse que os novos presidentes de bancos são alinhados ao pensamento de Bolsonaro e que todos seguem as orientações definidas pelo presidente.

Imprensa

Bolsonaro disse ainda que vai tentar eliminar a bonificação por volume (BV) na mídia, incentivo direcionado para agências publicitárias. A lei que trata do assunto, sancionada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010, teve origem na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios. O oferecimento da bonificação é facultativo.

Bolsonaro também falou que quer a imprensa livre, cada vez mais forte e isenta, mas constantemente critica setores da mídia em suas redes sociais e os acusa de propagarem mentiras. "Parece simples, mas não é. Vamos democratizar as verbas publicitárias. Nenhum órgão de imprensa terá direito a mais ou menos daquilo que nós viremos a gastar. Queremos que vocês sejam cada vez mais fortes e isentos, como alguns foram até pouco tempo", disse. "Vamos acreditar em vocês, mas verbas publicitárias não serão mais para privilegiar a empresa A, B ou C."

ONGs

O presidente também falou sobre a destinação de verba pública para Organizações Não Governamentais (ONGs). "Recursos que forem liberados para ONGs, como é da esperança de todos, terão rígido controle para que possamos fazer com que o recurso público seja bem utilizado", destacou.

Mais conteúdo sobre:
Jair BolsonaroPaulo Guedes

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.