Reprodução/Twitter
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Após alta, Bolsonaro cobra investigação da PF sobre facada

Presidente recebeu alta médica do hospital Vila Nova Star, onde estava internado desde segunda-feira, 3; citando o 'uso político' do atentado de 2018, criticou os adversários

Iander Porcella e Matheus de Souza, O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2022 | 08h55
Atualizado 05 de janeiro de 2022 | 12h20

Após passar três dias internado devido a uma obstrução intestinal, o presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu alta nesta quarta-feira. Ao ser liberado, o chefe do Executivo participou de coletiva de imprensa junto com a equipe médica que o atendeu. Em sua fala, o presidente afirmou esperar que a Polícia Federal aprofunde as investigações sobre a facada da qual foi vítima na campanha de 2018, em Juiz de Fora (MG) e citou o 'uso político' do atentado para criticar os adversários.

“Agora conseguimos adentrar no telefone dos advogados. Então, no meu entender, não está difícil desvendar esse caso, vai chegar em gente importante, não foi da cabeça dele [Adélio Bispo de Oliveira, autor da facada] que ele planejou aquilo, não há dúvida de [que foi] tentativa de homicídio", afirmou o chefe do Executivo. Nesta semana, a PF designou o delegado Martin Bottaro Purper, que já comandou investigações contra a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), para assumir o inquérito sobre o atentado.

“Querer dizer que estou me vitimizando é brincadeira comigo. E, outra coisa, Dr. Macedo [médico de Bolsonaro] tem sua honra e eu tenho a minha. Eu fui um candidato paupérrimo, pobre e miserável, como vou conseguir armar em cima do hospital Albert Einstein e de Juiz de Fora?”, disse o presidente na coletiva, ao reclamar de sugestões de que a facada não teria ocorrido. Ele também reclamou de uma “politização” da facada.

Bolsonaro voltou a insistir que Adélio Bispo não agiu sozinho. Ao comentar a reabertura do caso pela Polícia Federal, o presidente - que sempre faz questão de citar Adélio como um “militante do PSOL” -, disse que as investigações vão “chegar em gente grande”.

Ao lado do presidente, o médico responsável pelo tratamento, Antônio Luiz de Macedo, explicou que as aderências decorrentes das sucessivas cirurgias a que Bolsonaro foi submetido aumentam o risco do quadro de obstrução intestinal, mas reforçou que agora o paciente está bem e pronto para o trabalho. Macedo afirmou que ele terá uma dieta especial e não poderá realizar exercícios intensos, mas que está liberado para retomar suas atividades. 

O presidente afirmou que trabalhou mesmo durante sua viagem de descanso ao litoral de Santa Catarina, na última semana de 2021. Ele lembrou que, durante aquele período, sancionou a prorrogação da desoneração da folha de pagamento e assinou uma MP destinando verba emergencial para a Bahia. 

“O presidente não tem férias, é maldoso quem fala que eu estou de férias, eu dou minha fugida de jet ski, dou um cavalo de pau no carro do Beto Carrero”, disse Bolsonaro, lembrando dos passeios que fez durante a viagem. Como mostrou o Estadão, a Constituição não prevê férias formais para o chefe do Poder Executivo.

'Teremos eleições limpas'

Bolsonaro voltou a falar sobre eleições nesta quarta-feira. Se antes o chefe do Executivo falava contra a segurança das urnas, tendo movimentado sua base no ano passado para tentar fazer valer o voto impresso, hoje o presidente afirmou não ter nenhuma preocupação com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).  “Tenho certeza que as eleições vão ser limpas e os votos vão ser contados”, disse.

Comentando sobre o convite do presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, para que as Forças Armadas participem do processo eleitoral, Bolsonaro afirmou: “Aceitamos, para participar de todo o processo eleitoral, sem exceção”.

O presidente destacou que o Ministério da Defesa fez alguns questionamentos ao ministro sobre as fragilidades das urnas, e afirmou que, a depender da resposta de Barroso, algo poderá ser mudado. “Pode ser que nos convença que estamos errados, mas agora, se nós não estivermos errados pode ter certeza que algo deve ser mudado”, disse, alegando que não se tratava de uma “bravata”.

“Nos vamos aceitar o que querem impor a nossa população, o brasileiro merece eleições limpas e transparentes e ninguém é dono da verdade aqui no País. Então, a lei vai ser cumprida e teremos eleições limpas e transparentes”, concluiu.

Flávia Arruda

O presidente disse também que a ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda, “não será demitida pela imprensa”. Nos últimos dias, parlamentares do Centrão iniciaram uma fritura da ministra porque ela supostamente não teria cumprido promessas de liberação de verbas. 

“A indicação da Flávia Arruda foi minha”, declarou o chefe do Executivo durante uma coletiva de imprensa no Hospital Vila Nova Star, após receber alta médica. O presidente disse que não a nomeou para o cargo por ser mulher, mas pela competência. “Ninguém ligou para mim. Ninguém pede cabeça de ministro como acontecia no passado”, acrescentou.

Bolsonaro também afirmou que “desconhece” onde a ministra teria errado para que a demissão dela fosse solicitada. “Se, porventura, [ela] estiver errando, como já aconteceu, acontece, eu chamo e converso com ela. Ela não será demitida jamais pela imprensa”, disse.

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