Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Bolsonaro recebe medalha de Lira por 'importantes serviços' ao Legislativo

Presidente foi deputado federal por 28 anos, mas sempre considerado do 'baixo clero', sem nunca ter apresentado ou relatado projetos importantes

Eduardo Gayer, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2021 | 11h50

Brasília - O presidente Jair Bolsonaro foi condecorado nesta quarta-feira, 24, com a medalha Mérito Legislativo 2021 em cerimônia na Câmara dos Deputados. A entrega foi feita pelo presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), aliado do governo, e por indicação do líder do PSL na Câmara, deputado Major Vitor Hugo (GO).

A medalha tem o objetivo de reconhecer o trabalho de autoridades, personalidades, instituições ou entidades que tenham prestado serviços importantes ao Legislativo ou ao País. Bolsonaro foi deputado federal por 28 anos, mas sempre considerado do “baixo clero”, sem nunca ter apresentado ou relatado projetos importantes.

A relação do presidente com o Congresso foi conflituosa no primeiro ano de mandato, após Bolsonaro ser eleito com o discurso da antipolítica, mas começou a mudar no ano passado, com o governo abrindo espaço para indicações políticas em cargos na administração federal e a distribuição de recursos públicos. Como revelou o Estadão em maio, Bolsonaro montou um esquema de "toma lá, dá cá" ao trocar recursos das emendas de relator, o chamado orçamento secreto, por apoio em votações de interesse do Palácio do Planalto. 

Em um rápido discurso antes de ser homenageado, o presidente agradeceu a indicação de Vitor Hugo e o trabalho de Lira à frente da Câmara. “Arthur Lira, muito obrigado pela deferência e pela forma como você se relaciona conosco”, declarou o presidente. “Muito me honra. Estou muito feliz neste momento”, completou Bolsonaro sobre a condecoração, a mais alta comenda da Câmara dos Deputados.

Pelas regras da Câmara dos Deputados, Bolsonaro, por não estar vacinado contra a covid-19, deveria apresentar para entrada na Casa um teste negativo para o novo coronavírus. Até o momento, a presidência da Câmara não informou se recebeu o PCR do presidente.

A sessão foi presidida pela segunda secretária da Câmara, deputada Marília Arraes (PT-PE). Ela aproveitou o discurso para criticar Bolsonaro e destacou uma corrosão da democracia no País, citando especificamente os ataques do presidente ao Supremo Tribunal Federal (STF). “Para aqueles que não exibam as credenciais democráticas que a concessão do mérito legislativo pressupõe, nunca é tarde para começar. Fazemos sinceros cotos para que a concessão dessa honraria contribua para a formação de princípios e valores que ela representa”, afirmou a petista.

Outro homenageado na sessão legislativa foi o Papa Francisco, representado pelo núncio apostólico. Ao todo, a Câmara distribuiu 32 medalhas, entre personalidades e instituições. A médica cardiologista Ludmilla Hajjar, que foi sondada para assumir o ministério da Saúde no lugar de Marcelo Queiroga mas rejeitou o posto por reconhecer a ineficácia da cloroquina no tratamento da covid-19, também foi condecorada.

Entre as figuras públicas, ainda receberam a medalha o deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP), o ministro do STJ Reynaldo Soares da Fonseca, o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, e o fotógrafo Sebastião Salgado.

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