Dida Sampaio / Estadão
Dida Sampaio / Estadão

Bolsonaro reafirma defesa do tratamento precoce e diz à CPI da Covid: ‘Não encha o saco’

Em publicação nas redes sociais, presidente reclama de senadores e diz que cidadão é ‘livre para escolher’ tratamento

Sofia Aguiar, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2021 | 14h03
Atualizado 07 de maio de 2021 | 17h51

O presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar CPI da Covid nesta sexta-feira, 7, e defendeu mais uma vez o chamado “tratamento precoce”, indicação de medicamentos sem comprovação científica como cloroquina e a ivermectina no combate ao coronavírus.

“Uns médicos receitam cloroquina, outros a ivermectina e o terceiro grupo (o do Mandetta), manda o infectado ir para casa e só procurar um hospital quando sentir falta de ar (para ser entubado)”, afirmou Bolsonaro em uma publicação nas redes sociais. O presidente classificou a postagem como “resposta aos inquisidores da CPI sobre o tratamento precoce”.

“Portanto, você é livre para escolher, com o seu médico, qual a melhor maneira de se tratar. Escolha e, por favor, não encha o saco de quem optou por uma linha diferente da sua, tá ok?”, disse.

Os depoimentos prestados à CPI da Covid no Senado ao longo desta semana tiveram como foco a insistência do presidente no chamado “tratamento precoce”. Na primeira semana de depoimentos, a CPI ouviu os ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, além do atual titular do cargo, Marcelo Queiroga. 

Os dois primeiros relataram pressão de Bolsonaro para que o Ministério da Saúde defendesse o “tratamento precoce”. Já Queiroga irritou os senadores ao evitar dizer se concorda ou não com a defesa pública que o presidente faz da cloroquina – segundo ele, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias do SUS (Conitec) ainda vai decidir sobre o uso da droga antimalárica contra a covid-19.

Na quinta-feira, 7, à noite, em transmissão semanal nas suas redes sociais, Bolsonaro já havia reclamado que o colegiado da CPI “bateu muito” em Queiroga.  “Cloroquina, cloroquina, cloroquina, o tempo todo cloroquina. ‘Ah, o presidente falou’...”, analisou Bolsonaro. O chefe do Executivo ainda ameaçou usar a máquina do governo federal para investigar o governador de Alagoas, Renan Filho (MDB), filho do senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI da Covid, que tem se mostrado forte crítico ao Planalto.

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