Adriano Machado/Reuters
Adriano Machado/Reuters

Bolsonaro quer deixar Milton Ribeiro em 'banho-maria' enquanto monitora repercussão da crise

Dois ministros da ala política do governo disseram à reportagem que não apostam na queda do colega, ao menos neste momento, por causa da boa relação com o presidente e a primeira-dama

Eduardo Gayer, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2022 | 18h24

BRASÍLIA — Pressionado por uma ala da bancada evangélica a demitir o ministro da Educação, Milton Ribeiro, o presidente Jair Bolsonaro (PL) decidiu aguardar mais um pouco. De acordo com relatos feitos ao Estadão/Broadcast Político, Bolsonaro prefere deixar o auxiliar em “banho-maria”, enquanto avalia os desdobramentos do pedido de propina em ouro feito por um pastor que atua no gabinete paralelo do MEC. O caso foi revelado pelo Estadão.

Dois ministros da ala política do governo disseram à reportagem que não apostam na queda do colega, ao menos neste momento, por causa da boa relação de Ribeiro com Bolsonaro e a primeira-dama Michelle. O ministro é pastor presbiteriano. O escândalo, porém, rachou a base de Bolsonaro no meio evangélico. “Não seremos complacentes com quem quer que seja”, disse nesta quarta-feira, 23, o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), presidente da Frente Parlamentar Evangélica.

Uma das ideias avaliadas no Palácio do Planalto é incentivar a saída de Ribeiro na reforma ministerial, prevista para o próximo dia 31. Neste caso, ele deixaria o MEC com o discurso de que vai concorrer a uma cadeira de deputado federal. O problema é que até agora ele não se filiou a nenhum partido e, com o escândalo, dificilmente conseguirá legenda.

De qualquer forma, esta seria uma maneira de o Palácio do Planalto responder à pressão pela saída do ministro sem que ele ficasse exposto ao constrangimento de perder o cargo no auge da crise.

Até agora, a orientação dada a Ribeiro pelo núcleo duro do governo é a de agir com cautela e evitar qualquer exposição que aumente a temperatura. O ministro cancelou viagens e mantém apenas agendas internas. Nesta quarta-feira, 23, ele recebeu no gabinete o senador Wellington Fagundes (PL-MT). Passou um café para o convidado e se mostrou disposto a prestar esclarecimentos no Congresso.

 O escândalo no coração do MEC, no entanto, tem aumentado e continuará no radar do governo. O procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de uma investigação contra os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, responsáveis pela intermediação de agendas e verbas no ministério, como tem mostrado o Estadão em uma série de reportagens.

Três pastores evangélicos com trânsito no governo relataram mal-estar com a situação, mas disseram que vão dar um “voto de confiança” a Ribeiro. O presidente da Frente Parlamentar Evangélica, no entanto, não foi na mesma linha. Para Sóstenes, a nota do ministro não foi suficiente para esclarecer as graves denúncias e “atos isolados” de dois pastores “não vão manchar a imagem” dos religiosos. “Não temos problema nenhum de entregar quem quer que seja nas mãos da Polícia Federal”, disse o deputado.

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