Bolsonaro quer capitalizar credibilidade das Forças Armadas

Ao montar um time de oficiais superiores, aposta é na eficiência e austeridade profissional; será difícil operar quando houver fogo cruzado

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2018 | 05h00

Há mais do que o tempo e as transformações separando o regime imposto de 1964 e a administração do presidente eleito, Jair Bolsonaro – os militares tomaram o poder por meio de um golpe, sim, faz pouco menos de 55 anos. O quadro agora é outro.

+ Número de militares no 1º escalão é o maior desde 1964

O novo presidente chega ao governo eleito pelo voto popular, em processo legítimo. Durante os 21 anos de exceção, os cinco presidentes militares foram escolhidos internamente no alto comando das Forças. O chefe máximo era um general. O governo era militar por definição. O efeito multiplicador desse cenário reduzia o espaço para os civis.

O objetivo declarado de Bolsonaro ao montar um time de oficiais superiores, oriundos do Exército na maioria, para integrar o primeiro escalão de gestores públicos do País é capitalizar a credibilidade das Forças Armadas, a eficiência, a austeridade profissional, a capacidade administrativa e a cultura do trabalho visto como missão. Jair, capitão reformado, conhece e confia nesses quadros.

Entretanto, governar o Brasil será sempre uma campanha marcada pela necessidade de negociação permanente. Vai ser difícil de operar quando houver fogo de saturação cruzando a Praça dos Três Poderes.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.