Igor Estrela/Estadão
Igor Estrela/Estadão

Bolsonaro quer ampliar equipe do PSL e eleger filho como líder

Partido tinha apenas dois deputados e passou para oito após a janela de migração de março.

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2018 | 21h36

BRASÍLIA - O deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ), pré-candidato a presidente da República, cobra do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), virtual adversário na campanha presidencial, a cessão de novos funcionários comissionados e uma sala para montagem da liderança de seu partido. Bolsonaro pretende emplacar seu filho Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) como novo líder da bancada de oito parlamentares.

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A eleição na bancada deve ocorrer nesta quarta-feira, para estruturar o mais rápido possível a liderança na Câmara. “(O líder) não serei eu, garanto isso. Talvez (seja) o Eduardo”, diz Bolsonaro. O atual líder é o delegado Francischini (PSL-PR). O presidenciável promete um rodízio anual no posto, com votação aberta numa lista e recondução ao cargo proibida.

Com atividades organizadas por seus servidores de confiança no gabinete parlamentar durante a pré-campanha, Bolsonaro quer ampliar a equipe do PSL. O partido tinha apenas dois deputados e passou para oito após a janela de migração de março. Pelas regras da Câmara, apenas partidos com mais de cinco deputados têm direito a indicar um líder de bancada, um espaço físico e participar das reuniões colegiadas.

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A divisão de funcionários foi estabelecida com base nas eleições de 2014. O PSL elegeu apenas um deputado, o que rendeu dois cargos em comissão de natureza especial para a representação partidária. PT e MDB, as legendas que elegeram mais deputados, possuem proporcionalmente 114 cargos cada. O PV, que à época tinha oito deputados eleitos (número atual do PSL), teve direito a 38 cargos.

“Nós não temos sala ainda, não vamos ter cargo nenhum. Pô, partido que perdeu deputado tem que perder cargo. Pelo que sei, o Rodrigo Maia não aceita. O Francischini conversou com ele (Maia), ele diz que não vai botar em votação a criação de cargos. Vou conversar com ele”, apela Bolsonaro. “Eu preciso de liderança para poder trabalhar, ajudar na pauta. Não quero 30 cargos, não, qualquer meia dúzia já fico feliz.”

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Estado não conseguiu contato com Maia. Historicamente, a Câmara só refaz a divisão de cargos quando um novo partido é criado. A criação de funções comissionadas e de natureza especial precisa ser aprovada no plenário por resolução.

O deputado Carlos Manato (PSL-ES), que é suplente de secretário na Mesa Diretora, disse que o partido não deve conseguir cargos de confiança: "Talvez se tiver alguma sala vazia, vamos tentar funcionários de carreira, porque aí não aumenta o custo, mas cargos não teremos".

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