Isac Nóbrega/PR
Isac Nóbrega/PR

Bolsonaro: 'Queiroz cuida da vida dele e eu da minha'

Na China, presidente diz desconhecer áudio divulgado nesta quinta-feira envolvendo o ex-assessor de Flávio Bolsonaro

Julia Lindner, enviada especial à China

24 de outubro de 2019 | 14h03

PEQUIM - Em viagem à China, o presidente Jair Bolsonaro disse desconhecer áudio divulgado nesta quinta-feira, 24 envolvendo Fabrício Queiroz, ex-assessor de um de seus filhos, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). "Eu não sei dessa informação. Por favor, o Queiroz cuida da vida dele, eu da minha. A minha preocupação aqui, para não acabar a entrevista de vocês (jornalistas), é tratar de questões que envolvem interesse de todos nós brasileiros", disse à imprensa após jantar com empresários em Pequim.

Ao ser indagado sobre a divulgação do áudio novamente, o presidente afirmou que "não está sabendo". "Quando esse áudio veio à tona?", questionou Bolsonaro. "Não sei, desconheço. Não falo com o Queiroz desde quando aconteceu esse problema", afirmou sobre as suspeitas do ex-assessor atuar na prática da chamada rachadinha durante período em que trabalhou no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, entre 2007 e 2018.

Áudio de WhatsApp obtido pelo jornal O Globo e divulgado nesta quinta-feira mostra que, mesmo depois do escândalo, Fabrício Queiroz continua tendo influência sobre indicações para cargos. "Tem mais de 500 cargos, cara, lá na Câmara e no Senado", diz Queiroz no áudio. "Pode indicar para qualquer comissão ou, alguma coisa, sem vincular a eles em nada. '20 continho' aí para gente caía bem pra c*".

De acordo com a publicação, a mensagem foi enviada por Queiroz em junho - seis meses depois que o Estado revelou que o ex-assessor foi citado em relatório do antigo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) por movimentações atípicas em sua conta. De janeiro de 2016 a janeiro de 2017, Queiroz movimentou em uma conta mais de R$ 1,2 milhão, quantia considerada incompatível com a renda do então assessor. Ele trabalhava para Flávio, oficialmente, como motorista. 

Defesa

O advogado de Flávio Bolsonaro, Frederick Wassef, questiona a veracidade da "suposta gravação" e diz que as informações não procedem. "Não é possível afirmar, pelo áudio, se é Fabrício Queiroz quem fala ou se é outra pessoa. O ex-assessor e Flávio Bolsonaro não mantêm contato e jamais se encontraram desde o ano passado, quando Fabrício Queiroz foi exonerado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro", afirmou. 

Segundo ele, a gravação deveria passar por perícia da Polícia Federal para garantir sua autenticidade e avaliar se a voz é do ex-assessor. "Somente uma perícia poderia mostrar se houve edição ou retirada de contexto da referida gravação". 

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