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Bolsonaro propõe federalizar Fernando de Noronha e chama arquipélago de ‘ilha de amigos’

Presidente classificou como ‘absurdo’ pagar ‘100 reais’ para visitar local; valor correto da Taxa de Preservação Ambiental é de R$ 75,93 para um dia

Jussara Soares, Daniel Weterman e Emilly Behnke, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2020 | 22h34
Atualizado 05 de novembro de 2020 | 22h48

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro sugeriu federalizar o território de Fernando de Noronha (PE). Ele se referiu ao arquipélago como “ilha de amigos” pelo alto custo para fazer turismo no local. O presidente chamou de ‘absurdo’ pagar ‘100 reais’ pra visitar uma praia.

A declaração foi feita após o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do chefe do Planalto, passar o feriado na região colocando o custo da própria passagem aérea nos cofres públicos, apesar de não se tratar de uma viagem a trabalho. Após o fato ser revelado pelo portal Metrópoles, em nota, o gabinete do parlamentar informou que se tratou de um equívoco e disse ter pedido para cancelar o reembolso do valores da passagem e das diárias.

“Parece que virou ali uma ilha de amigos, não quero falar o nome aqui para não ter problema, do rei e o rei não sou eu”, afirmou Bolsonaro durante transmissão ao vivo nas redes sociais, nesta quinta-feira, 5. “É um absurdo, você vai para uma praia em Fernando de Noronha pagar 100 reais. É meio lobo-guará, dois dias um lobo guará para ir numa praia lá em Fernando de Noronha. É um absurdo isso aí. Inacreditável. Isso aí tem que mudar.”

O arquipélago de Fernando de Noronha é um Distrito Estadual que pertence a Pernambuco. De acordo com o portal oficial da administração, o valor da Taxa de Preservação Ambiental (TAP) é de R$ 75,93 para um dia. O administrador do território é indicado pelo governador do Estado e votado pela Assembleia Legislativa. Atualmente, o Estado é governado por Paulo Câmara (PSB), filiado a um partido de oposição a Bolsonaro.

Na transmissão, o presidente da República não detalhou como colocaria a mudança proposta em prática.

Ao visitar Fernando de Noronha, Flávio Bolsonaro se encontrou com integrantes do governo, entre eles os ministros Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Marcelo Álvaro Antonio (Turismo), que cumpriam agenda oficial na região. Também estiveram no arquipélago o presidente da Embratur, Gilson Ribeiro, e o secretário especial da Pesca, Jorge Seif. Sem agenda oficial, o grupo esticou a estada no local no final de semana.

Conforme mostrou o Estadão, Salles e Seif liberaram a pesca da sardinha em Noronha, ignorando uma nota técnica do Icmbio (Instituto Chico Mendes de Biodiversidade).

Ao participar da live de Bolsonaro, Seif defendeu a medida, dizendo que “ninguém vai enlatar sardinha em Fernando de Noronha” e que atividade será feito exclusivamente por pescadores artesanais e nativos da ilha.

“Ninguém vai, com barco industrial, invadir Noronha e acabar com tudo, como falaram. E outra coisa: chegaram a gravar depoimento que ia faltar comida pro tubarão. É o maior absurdo”, rebateu.

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