Adriano Machado/ Reuters
Adriano Machado/ Reuters

Bolsonaro prevê derrota da PEC do voto impresso e sugere que pode abrir mão de campanha à reeleição

Presidente continua a atacar o sistema de votação que vigora desde os anos 1990 sem qualquer evidência de fraude

Vinícius Valfré, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2021 | 21h09

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro voltou a fazer ameaças e a lançar suspeitas contra o sistema eleitoral, nesta segunda-feira, 19, sem apresentar qualquer evidência. Bolsonaro disse não acreditar que a proposta de voto impresso seja aprovada na Câmara e chegou a sugerir que, se o sistema eletrônico de votação não for substituído, pode abrir mão de concorrer à reeleição, em 2022.

"Eu entrego a faixa para qualquer um, se eu disputar a eleição. Se eu disputar, eu entrego a faixa para qualquer um, mas uma eleição limpa. Agora, participar de uma eleição com essa urna eletrônica... Alguns falam: 'Ah, o Bolsonaro foi reeleito tantas vezes com o voto eletrônico...'. Vê o pessoal de banco aí, do sistema bancário. Se usassem a mesma tecnologia dos anos 2000, 1990, não teria segurança nenhuma", disse.

Bolsonaro lançou ataques nas duas vezes em que interagiu com apoiadores, nesta segunda. Há exatamente uma semana, ele havia se reunido com o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luiz Fux, e ouvido pedidos para que cessasse ataques ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

"Mas quem for contar o voto não pode ser aqueles que tiraram o Lula da cadeia. Conto com vocês. Vocês são importantíssimos", afirmou, no fim da tarde.

Na interação com os apoiadores nas imediações do Palácio da Alvorada, o presidente também já admitiu a derrota na Câmara da proposta que poderia obrigar a adoção de um sistema de voto impresso. 

"Eu não acredito mais que passe mais, na Câmara, o voto impresso. A gente faz o possível. Vamos ver como fica", declarou.

Desde que os desgastes se aprofundaram e ele passou a atacar o sistema de votação que vigora desde os anos 1990 sem qualquer evidência de fraude, o presidente tem alimentado a narrativa de que apenas a impressão do voto tornará o processo seguro. Ele tem afirmado, sem dizer como, que as urnas eletrônicas permitem fraudes.

Na última sexta-feira, 16, vislumbrando uma derrota na comissão especial da Câmara que analisa o tema, governistas manobraram para adiar a análise e evitar a rejeição da proposta. O tema só deve voltar à discussão em 5 de agosto. 

Ao retornar ao Alvorada, uma apoiadora perguntou se o presidente estava desanimado. Bolsonaro respondeu que, na verdade, está "sem paciência". 

As declarações do presidente, feitas na portaria do Palácio da Alvorada, foram divulgadas, com edições, por um canal no YouTube mantido por bolsonarista.

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