Fred Schinke/Flickr
Fred Schinke/Flickr

Bolsonaro pretende criar 'Banco de Talentos' para nomeações no segundo escalão e nos Estados

Projeto serve para que congressistas aliados possam indicar nomes técnicos para cargos

Camila Turtelli e Mariana Haubert, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2019 | 19h36

BRASÍLIA - Durante a reunião com a bancada do PSL nesta quarta-feira, 20, o presidente Jair Bolsonaro anunciou que está sendo criado um "banco de talentos" no qual os parlamentares da base poderão indicar nomes e currículos para ocuparem vagas nos segundos e terceiros escalões do governo federal nos Estados. A plataforma, que deverá ficar pronta depois do carnaval, será construída pela Controladoria-Geral da União e será aberta a qualquer cidadão.

A ideia é que os deputados e senadores da base aliada apresentem nomes técnicos para as vagas disponíveis. Esses quadros serão avaliados pelos ministros, que farão uma espécie de processo seletivo para escolher o profissional. A interrupção nas nomeações tem irritado integrantes de partidos que podem integrar a base aliada do governo no Congresso.

No início do mês, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, mandou suspender as nomeações e dispensas de cargos comissionados e funções de confiança para exercício em qualquer repartição federal nos Estados, por tempo indeterminado.

"Eu achei uma ótima ideia, ainda mais no meu Estado em que há dois ministros no governo (Tereza Cristina, na Agricultura, e Luiz Mandetta, na Saúde)", afirmou o deputado Tio Trutis (PSL-MS). Para o deputado Filipe Barros (PSL-PR) o banco não é um toma lá, da cá e sim uma forma dos parlamentares serem de certa forma "responsáveis pelas indicações".

Apesar de ser favorável à iniciativa do presidente, a deputada Major Fabiana disse que não está interessada em indicar ninguém. "Se for para ter a minha avaliação do currículo, tudo bem", disse.

Insatisfação. Apesar de Bolsonaro ter recebido a bancada do seu partido no Palácio do Planalto, uma ala da sigla segue descontente com a falta de interlocução com o presidente. Avaliam que ele conversou pouco com os deputados. "Nem cheguei a tomar café", disse um parlamentar que pediu para não ser identificado. Para ele, Bolsonaro não tem dialogado com sua base, o que dificulta a articulação. "Criaram esse banco de talentos, mas duvido que o PSL vá conseguir emplacar algum nome", disse.

Na reunião não foi discutida também a saída de Gustavo Bebianno. "Era ele quem conversava com a gente e agora, quem será esse interlocutor?", questionou. 

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