NIlton Fukuda/Estadão
NIlton Fukuda/Estadão

Bolsonaro pede desculpas por vídeo, mas assessor repete comparação com hienas

Filipe Martins, ligado à ala ideológica do governo, publica mensagem em rede social dizendo que 'establishment é punhado de hienas'

Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2019 | 15h48

BRASÍLIA – Horas após o presidente Jair Bolsonaro (PSL) pedir desculpas por uma postagem em sua conta no Twitter em que aparece como um leão duelando com hienas, o seu assessor para assuntos internacionais, Filipe Martins, ligado à ala ideológica do governo, fez nesta terça-feira, 29, novas comparações com os animais selvagens.

Segundo Martins, o "establishment" (grupo que detém poder) é um "punhado de hienas" que ataca quem ameaça seus privilégios. Para o assessor de Bolsonaro, este cenário só mudará "quando o Brasil se tornar uma nação de leões". 

"O establishment não gosta de se ver retratado, mas ele é o que ele é: um punhado de hienas que ataca qualquer um que ameace o esquema de poder que lhe garante benefícios e privilégios às custas do povo brasileiro. Isso só mudará quando o Brasil se tornar uma nação de leões", escreveu Martins no Twitter. 

Mais cedo, presidente Bolsonaro disse em entrevista ao Estado que a publicação do vídeo em sua conta no Twitter foi um "erro". Na montagem, divulgado na segunda-feira, 28, as hienas que ameaçam o leão levam o símbolo de instituições, como o Supremo Tribunal Federal (STF), a Organização das Nações Unidas (ONU), o seu partido, PSL, e siglas de oposição - entre as quais o PT e o PCdoB -, além da imprensa. 

A postagem inflamou a briga interna no PSL e foi criticada pelo ministro Celso de Mello, do Supremo. O vídeo foi apagado cerca de duas horas depois diante de forte repercussão negativa. 

"Me desculpo publicamente ao STF, a quem porventura ficou ofendido. Foi uma injustiça, sim, corrigimos e vamos publicar uma matéria que leva para esse lado das desculpas. Erramos e haverá retratação", disse o presidente durante viagem à Arábia Saudita. 

Martins integra núcleo de assessores de Bolsonaro conhecido como "gabinete do ódio". O grupo defende pauta de costumes, conservadoras, tem forte presença nas redes sociais e produz relatórios para orientar o presidente sobre fatos do Brasil e do mundo. O assessor para assuntos internacionais também é um dos nomes do Palácio do Planalto convocados para prestar depoimento à CPI mista das Fake News instaurada no Congresso Nacional.

No filme postado na segunda, 28, o animal que simboliza Bolsonaro se alia a outro leão, chamado “conservador patriota”, parte para o contra-ataque e vence seus inimigos. Bolsonaro disse ao Estado que o vídeo foi publicado em sua conta sem o devido cuidado e que orientou sua equipe a evitar este tipo de conteúdo. "O vídeo não é meu, esse vídeo apareceu, foi dada uma olhada e ninguém percebeu com atenção que tinham alguns símbolos que apareciam por frações de segundos. Depois, percebemos que estávamos sendo injustos, retiramos e falei que o foco (nas redes sociais) são as nossas viagens." 

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