Adriano Machado/ Reuters
Adriano Machado/ Reuters

Bolsonaro pede comparação com governo de Lula e apela a eleitores para que vejam 'futuro do Brasil'

Presidente repete que 'só Deus' o tira da cadeira no Planalto

André Shalders e Rafael Beppu, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2021 | 00h13

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro usou a tradicional transmissão ao vivo nas redes sociais, na noite desta quinta-feira, 15, para comparar o seu governo ao do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir anular as condenações do petista, impostas pela Lava Jato.

"Pela decisão do Supremo, o Lula é candidato (em 2022). Façam uma comparação dos ministros do Lula com os nossos ministros”, apelou Bolsonaro. “Se o Lula voltar, pelo voto direto, pelo voto auditável, tudo bem. Agora, veja qual vai ser o futuro do Brasil, o tipo de gente que ele vai trazer para dentro da Presidência.”

Em constante atrito com o Supremo, Bolsonaro também disse que, se Lula for eleito, “em março de 2023 ele vai escolher mais dois ministros” para a Corte. “Querem criticar o meu governo, fiquem à vontade, mas puxem um pouquinho pela memória para ver como o Brasil era conduzido no passado”, afirmou.

Acompanhado do presidente da Caixa, Pedro Guimarães, Bolsonaro disse que o Brasil está “há décadas” em situação bastante complicada, não tendo quebrado no último ano nem “no governo A, B ou C”. “Alguns querem que eu resolva, né, que eu limpe a casa quase que sozinho de uma hora para a outra. Não quero jamais me intitular como o faxineiro do Brasil, aquele que vai resolver os problemas (...), o salvador da pátria. Mas acredito que estou fazendo a coisa certa”, afirmou.

Em outro trecho da live, Bolsonaro repetiu que “só Deus” o tira da cadeira presidencial. “E me tira, obviamente, tirando a minha vida. Fora isso, o que nós estamos vendo acontecer no Brasil não vai se concretizar, mas não vai mesmo. Não vai mesmo, tá ok?”, insistiu, em referência indireta ao que ele chama, nos bastidores, de “conspiração” para tirá-lo do cargo.

Logo no começo da transmissão, o presidente citou uma decisão da ministra Cármen Lúcia, do Supremo. Em  despacho nesta terça-feira, 13, Cármen deu cinco dias ao presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), para que ele responda sobre uma lacuna na lei, que não estabelece prazo para a deliberação de pedidos de impeachment. Cabe ao presidente da Câmara autorizar ou não o andamento dessas ações. Desde 2019 foram protocolados 112 pedidos de afastamento de Bolsonaro – sete acabaram arquivados. A decisão da ministra foi tomada com base em ação formulada por um advogado.

“Tem uma notícia que chegou agora para mim. Estou custando a crer que seja verdadeira, por Deus que está no céu. ‘Cármen Lúcia dá cinco dias para o presidente da Câmara, Arthur Lira, explicar por que não abriu processo de impeachment contra Bolsonaro’”, leu o presidente. Bolsonaro disse, em seguida, que ia se encontrar com Lira para discutir o assunto.

Bolsonaro também mencionou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, que já teve os seus integrantes definidos pelo Senado. O presidente insinuou que o número de vítimas de coronavírus no Brasil estaria em queda por causa da decisão do Senado de também investigar prefeitos e governadores na CPI. O colegiado, porém, só investigará o destino das verbas federais repassadas a Estados e municípios para o combate à pandemia.

“Sabemos da questão do vírus aí, da covid, que mata muita gente, mas parece que os números começaram a cair, depois que a CPI lá do Senado incluiu também a investigação em cima de governadores e prefeitos. Mas tudo bem”, disse Bolsonaro. O Brasil registrou 3.774 mortes por covid-19 nas últimas 24 horas. Desde o início da pandemia, há pouco mais de um ano, o país contabiliza 365.954 vidas perdidas. 

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