Reprodução
Reprodução

Bolsonaro passeia de moto e provoca aglomeração um dia após prometer vacina

Presidente faz passeio de moto em Formosa, a 80 km de Brasília, e tira fotos com apoiadores, que flagram Bolsonaro com e sem máscara

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2021 | 13h17

BRASÍLIA - Um dia após se lamentar por cada vida perdida em função da covid-19 e prometer vacinar ainda este ano toda a população adulta em pronunciamento feito em rede nacional, o presidente Jair Bolsonaro viajou para Formosa neste feriado de Corpus Christi, 3, onde provocou aglomeração e foi flagrado por apoiadores com e sem máscara. 

O passeio, feito de moto, não consta na agenda oficial do presidente. A cidade fica em Goiás, a cerca de 80 km de Brasília. Segundo a Prefeitura de Formosa, 85% dos leitos de UTI da rede pública hospitalar estão atualmente ocupados com pacientes de covid-19.

Vídeos publicados nas redes sociais mostram Bolsonaro chegando sem máscara em meio a uma aglomeração. Assim que tira o capacete, no entanto, o presidente coloca a proteção e caminha pela cidade em direção a uma igreja católica. Na saída, tirou fotos com apoiadores e seguiu de moto para Salto do Itiquira, um ponto turístico do município. 

Nesta quarta, 2, Bolsonaro prometeu vacinas para todos os brasileiros "que assim o desejarem" até o fim do ano — durante a fala do presidente, houve panelaços em todo o País. Em fala que durou cinco minutos, Bolsonaro destacou o número de vacinados no País – novamente a partir de dados absolutos, e não proporcionais - e voltou a se colocar contra as medidas restritivas de governadores. Disse que o “governo não obrigou ninguém a ficar em casa” e não tirou o sustento de milhões de trabalhadores informais.

Desta vez, o presidente não mencionou o “tratamento precoce” com medicamentos sem eficácia contra a covid-19. Ele comemorou o acordo assinado entre a Fiocruz e a AstraZeneca, que permitirá a produção totalmente nacional do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), necessário para a elaboração do imunizante. “Com isso, passamos a integrar a elite de apenas 5 países que produzem vacinas contra o covid no mundo”, disse. 

No momento em que mais de 467s mil brasileiros já morreram, em decorrência do coronavírus, Bolsonaro, que não se vacinou por decisão pessoal, ainda citou a distribuição de 100 milhões de doses de vacinas e o crescimento de 1,2% do PIB no primeiro trimestre. E, mais uma vez, foi alvo de “panelaços” nas principais capitais e diversas cidades do País. Foi o nono pronunciamento do presidente desde o início da pandemia.

Até agora, passado cerca de um ano e meio do início da pandemia, o ritmo de vacinação é lento no Brasil. Até esta terça-feira, 10,6% dos brasileiros (22,6 milhões de pessoas) tinham recebido duas doses de vacina, necessárias para assegurar a imunização.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.