Bolsonaro participa de 'Conferência de Homens' em Brasília

Presidente foi a evento religioso no final da tarde de sexta; mulheres são proibidas de entrar

Teo Cury, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2019 | 17h51

BRASÍLIA - Um evento para “homens destemidos, corajosos e honrados”. Em uma semana marcada por crises políticas, foi este o último compromisso desta sexta-feira, 29, do presidente Jair Bolsonaro.  

Ele participou da conferência Escola de Hombridade, promovida pela igreja evangélica Comunidade das Nações, em Brasília. Foi recebido aos gritos de “mito” pelos cerca de 500 homens presentes – mulheres eram proibidas, de acordo com a organização. Segundo integrantes da igreja, Bolsonaro é amigo do pastor Cláudio Duarte, um dos palestrantes, e do bispo JB Carvalho, presidente da Comunidade das Nações. A participação do presidente não estava prevista na agenda.

“Prezado JB Carvalho, irmãos, brasileiros, varões do Brasil... Primeiro, eu quero agradecer a Deus por estar vivo, as orações de vocês e a fé por ocasião das eleições”, disse Bolsonaro, sendo interrompido por gritos de “glória a Deus”, “amém” e “aleluia”. “Estou aqui porque acredito em vocês e vocês estão aqui porque, primeiro, acreditam em Deus e, depois, no nosso Brasil. Apesar de entre Jair e Bolsonaro ter a palavra Messias, eu estou longe de fazer milagre”, continuou.

Foi a terceira vez na mesma semana em que Bolsonaro cumpriu compromissos fora da agenda oficial. Na terça-feira, foi ao cinema acompanhado da primeira-dama assistir a um filme religioso. Ontem, em outra “escapada” não prevista, o presidente foi a uma festa de aniversário do deputado Hélio Lopes (PSL-RJ) em uma churrascaria próxima ao Lago Sul de Brasília. .

A conferência que contou com a presença de Bolsonaro teve início na quinta-feira, 28, e está prevista para terminar só amanhã. O valor dos ingressos variava de R$ 50 a R$ 89, para os três dias de evento. Há ainda uma terceira opção, por R$ 40, que dá acesso diário ao evento. 

Escola de Hombridade

 “Acreditamos em homens destemidos, corajosos e honrados que se comportam de modo íntegro e digno. Convidamos você a fazer parte de um movimento de avivamento e despertamento, onde os valores e princípios serão restabelecidos contra os modismos e histerias da pós-modernidade”, diz a descrição da Escola de Hombridade no site.

“O que me fez chegar também à situação em que me encontro foi a verdade. Sem verdade nós nada construímos. Uma família também tem que ser moldada nesse princípio”, afirmou Bolsonaro aos presentes. Jornalistas foram impedidos de entrar por determinação do presidente, mas vídeos com suas declarações foram compartilhadas nas redes sociais. 

O evento voltado para o público masculino tem um similar só para mulheres, chamado "Modeladas", que acontece anualmente no mesmo local. No ano passado, de acordo com integrantes da igreja, a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, participou. “Nossas esposas e irmãs estiveram de manhã. Nós, estamos aqui agora com o Claudio Duarte e com a sua maneira alegre de se comunicar, que nos faz entender melhor nossas companheiras. Nós não vivemos sem elas. Devemos reconhecer que somos inferiores (a elas). E entendendo a mulher a família sobrevive. Uma sociedade não pode ser unida se a família não for unida em primeiro lugar. A célula da sociedade é a nossa família”, afirmou Bolsonaro.

O presidente disse ainda que é preciso um “milagre todo dia” para vencer os desafios e colocar o Brasil no lugar em que ele merece estar. “Eu  estou aqui porque acredito em vocês e vocês estão aqui porque, primeiro, acreditam em Deus e, depois, no nosso Brasil. Apesar de entre Jair e Bolsonaro ter a palavra Messias eu estou longe de fazer milagre”, brincou o presidente, que falou por pouco mais de cinco minutos.

Viagem a Israel

O presidente, que embarca amanhã para Israel, disse ao público que sua ida ao país tem por objetivo “aprofundar o nosso relacionamento, buscar parcerias e buscar acordos”. “Há poucos dias, na ONU, pela primeira vez, o Brasil votou com consciência. Votou com Estados Unidos e votou com Israel as questões dos direitos humanos. A imprensa diz que eu rompi uma tradição de votar com a Palestina. Eu respeito o povo palestino. Governo é outra coisa... Mas o povo, como da primeira vez que estive em Israel, muitos palestinos lá trabalham”, disse.

O presidente disse ainda que, em sua primeira ida a Israel, apesar de ter andado pouco pelas ruas, viu “só areia” e que lá, “inclusive, nem petróleo tem”. Contou ainda que o grande ensinamento que trouxe do país foi ter visto "o que eles não têm e o que eles são" e que "todos nós sabemos o que nós temos e o que nós não somos”. “Onde está o ponto de inflexão nisso tudo? No meu entender é a fé em Deus, é a consciência de que cada um tem que fazer a sua parte, cada um tem que seguir o seu destino, tem que pensar no bem ao próximo, amar sua família e, aos que acreditam, ter fé em Deus. Se nós trouxermos isso para cá, tenho certeza de que o mundo em poucas décadas ficará surpreso de onde nós poderemos chegar”, concluiu.

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