ADRIANO MACHADO/REUTERS
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Bolsonaro parabeniza primeiro-ministro socialista português

Em escala em Lisboa, Bolsonaro envia carta o reeleito António Costa, de quem busca apoio por acordo Mercosul e UE

Julia Lindner, enviada especial, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2019 | 19h59

TÓQUIO – Rumo ao Japão, o presidente Jair Bolsonaro fez, neste domingo, 20, uma escala em Lisboa e aproveitou para deixar uma mensagem de apoio ao primeiro-ministro de Portugal, António Costa, que faz parte do Partido Socialista (PS) e venceu o pleito no início do mês com a manutenção de uma coalizão de esquerda.

Bolsonaro assinou uma carta parabenizando o primeiro-ministro pela reeleição. O momento foi registrado em fotos. Em uma delas, o presidente brasileiro aparece assinando o texto ao lado do ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, e do assessor especial da Presidência Filipe Martins.

O documento assinado por Bolsonaro foi entregue a diplomatas locais, segundo uma fonte ouvida pelo Estado, e seria uma forma de ressaltar a relação entre os dois países. Além da relação histórica entre os países, o governo brasileiro precisa do apoio de Portugal para conseguir viabilizar o acordo entre Mercosul e União Europeia.

O texto, que deve ser encaminhado até 2021, durante o segundo mandato de António Costa, depende da aprovação do Parlamento Europeu e de todos os países-membros do bloco.

Em setembro, em meio à troca de farpas com o presidente da França, Emmanuel Macron, Bolsonaro ligou para o primeiro-ministro português para apresentar a sua versão sobre o aumento nas queimadas da região amazônica. Na ocasião, ele também aproveitou para reforçar a importância do acordo Mercosul-UE.

Bolsonaro chega nesta segunda-feira, 21, a Tóquio, primeiro ponto da mais longa viagem de seu mandato. Nos próximos dez dias, ele ficará distante da crise do PSL e do cenário político brasileiro – ao menos fisicamente – para circular entre grandes parceiros comerciais no exterior, como China e Japão, além de intensificar relações com países do Oriente Médio (Emirados Árabes, Catar e Arábia Saudita).

A principal missão de Bolsonaro será amenizar ruídos criados no início de sua gestão e melhorar a imagem diante de autoridades e empresários estrangeiros. Assim, a ideia é atrair novos investimentos para o Brasil em setores como agronegócio, infraestrutura, defesa e energia.

Na ausência do presidente, o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, segue com a articulação política no Congresso para tentar finalizar a tramitação da reforma da Previdência. A proposta é considerada um dos principais ativos políticos para passar a mensagem de que o atual governo defende mudanças estruturantes e que o País passará nos próximos anos por uma retomada econômica sustentável.

Coroação do imperador

No Japão, Bolsonaro irá amanhã à cerimônia de coroação do imperador Naruhito, em Tóquio. O evento será restrito a 2.500 convidados e não terá cobertura da imprensa. Com a presença de líderes do mundo todo, o presidente Bolsonaro quer aproveitar a ida ao Japão para agendar encontros bilaterais.

Está prevista uma reunião após a cerimônia de terça-feira com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, envolvido no escândalo que levou à abertura do processo de impeachment contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

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