Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Bolsonaro ouve mais as redes sociais que o Congresso, diz Maia

Presidente da Câmara dos Deputados disse que ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, conquistou a confiança da sociedade

Francisco Carlos de Assis e Elizabeth Lopes, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2020 | 12h30

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou na manhã desta terça-feira, 7, que tinha certeza que o presidente Jair Bolsonaro não iria demitir o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. As declarações foram dadas em uma live promovida pela Necton Investimentos. Na segunda-feira, o ministro foi novamente alvo dos ataques do mandatário e circularam informações de que ele estaria fora do governo.

“Bolsonaro não vai demitir um ministro popular como ele. A decisão de manter Mandetta não foi política, Bolsonaro ouve mais as redes sociais do que o Congresso”, disse Maia, destacando que o mandatário é uma pessoa inteligente, ao contrário do que muitos pensam, e como o ministro da Saúde conquistou a confiança da sociedade, sabe que não pode tirá-lo do posto.

Maia também defendeu que momento é de união com o Executivo, não de divergências. "O momento é de focar no principal que é saber como vamos salvar vidas, garantir empregos e recursos para empresas e para os mais vulneráveis. Olhar menos para as diferenças", destacou.

O presidente da Câmara disse que é necessário ouvir o ministro da Saúde. "É preciso ter previsibilidade", cobrou, dizendo que o governo federal tem de ter celeridade na execução das medidas, como os repasses de recursos. E, em meio a tudo isso, é preciso cumprir a determinação das autoridades de Saúde de quarentena. "Vamos cumprir o que diz Mandetta e OMS. Se é isolamento, é isolamento."

Endividamento

Na live, Rodrigo Maia disse que não apenas o Brasil, mas vários outros países, irão aumentar o seu nível de endividamento. “Me preocupa a segunda onda de gastos que o governo terá que fazer para retomar investimentos”, disse, destacando que, no longo prazo, as coisas voltarão ao normal, mas que, no curto, o governo terá que retomar investimentos.

Indagado sobre o uso do fundo eleitoral para o combate ao coronavírus, como defendem alguns segmentos, Maia disse: “Eu até acho que o fundo eleitoral já foi usado; debate é só para enfraquecer Parlamento”. E voltou a dizer que é o momento de o governo usar os recursos que dispõe em meio à crise. "Só não se pode pensar que eleição - para a democracia - não é importante."

China

O presidente da Câmara utilizou a teleconferência para, mais uma vez, criticar o governo e o mais recente episódio de desgaste nas relações com a China, após as críticas do ministro da Educação, Abraham Weintraub. Durante uma live com o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do mandatário, o ministro disse que considera alta a probabilidade de uma nova epidemia surgir na China porque eles comem tudo o que o sol ilumina e não são como os brasileiros, que criam porco no chiqueiro. "Não entendo como, num momento de crise, um parente do presidente usa um ministro para atacar a China", disse Maia.

Ele voltou a falar da importância da reforma tributária e de outros projetos, mas frisou que o momento é de foco na crise do coronavírus. "O momento agora é de dar tranquilidade às pessoas", afirmou. "Vamos construir pontes para o diálogo e retomar a agenda reformista."

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