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Bolsonaro oficializa Barros e diz esperar 'potencializar' aprovação de projetos na Câmara

A substituição do líder na Casa é mais um gesto de Bolsonaro na consolidação da aliança com o Centrão

Luci Ribeiro e Pedro Caramuru, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2020 | 11h09

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro formalizou no Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira, 18, a indicação do deputado Ricardo Barros (Progressistas-PR) para líder do governo na Câmara dos Deputados. Barros vai substituir o deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO), que deixa a função após não conseguir evitar uma série de derrotas do Palácio do Planalto no Congresso. A escolha de Barros foi anunciada na semana passada em um gesto de Bolsonaro que consolida a aliança com o Centrão.

Bolsonaro afirmou estar "muito grato e muito feliz" com a chegada de Barros.  "Fui por mais de dez anos integrante do PP do Ricardo Barros. Temos um bom relacionamento lá de trás", disse o presidente em vídeo divulgado nas redes sociais do parlamentar. "Para nós isso é muito bom. Nós potencializaremos a aprovação de projetos na Câmara. Ele Barros já vinha fazendo esse trabalho mesmo sem ser o líder."

A indicação de Barros para o posto foi patrocinada pelo líder do Progressistas, Arthur Lira (AL), que, informalmente, já atuava nos bastidores na defesa dos interesses do governo na Casa. O ministro-chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, crítico da atuação de Vitor Hugo, foi um entusiasta da mudança e trabalhou para convencer Bolsonaro que a substituição era necessária.

Na semana passada, em entrevista à Rádio Eldorado, Barros afirmou que “é absolutamente justo” que os partidos que deem governabilidade ao presidente tenham participação programática no governo. “A nossa Constituição tem o presidencialismo de coalizão e é absolutamente justo que os partidos que vão dar governabilidade, que vão permitir o governo aprovar matérias que ele prometeu na campanha, tenham elementos de seu partido no governo, fazendo o programa de cada partido, é assim que funciona o Brasil”, disse.

Na mesma edição do Diário Oficial, Bolsonaro ainda dispensa os deputados Ubiratan Antunes Sanderson (PSL-RS) e Fabiana Silva de Souza Poubel (PSL-RJ) da função de vice-líderes. No mês passado, Bolsonaro já havia destituído a deputada Bia Kicis (PSL-DF) da vice-liderança do Congresso e também fez outras mudanças nos cargos de vice-liderança da Câmara para alocar deputados do Centrão – os parlamentares Aloísio Mendes (PSC-MA) e Maurício Dziedricki (PTB-RS)-, além de Diego Garcia (Podemos-PR).

As mudanças, conforme o Estadão/Broadcast Político apurou, fazem parte da tentativa de Bolsonaro de se afastar do seu núcleo mais ideológico no Congresso. A avaliação de bolsonaristas é que o presidente quer se desvincular de nomes capazes de gerar mais ruído na relação entre o Executivo e o Judiciário. Ao mesmo tempo, aproveita o movimento para acomodar nomes do Centrão e para 'azeitar' sua articulação no Congresso.

 

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