Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Bolsonaro nomeia ex-ministro de Temer para chefiar a Funasa

O ex-deputado Ronaldo Nogueira esteve envolvido em polêmicas à frente da pasta do Trabalho, como a edição de portaria que dificultava a repressão ao trabalho escravo e citação de seu nome nas investigações da Operação Registro Espúrio

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

06 Fevereiro 2019 | 23h04

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro nomeou na tarde desta quarta-feira, 6, o ex-deputado Ronaldo Nogueira (PTB-RS) para chefiar a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), órgão vinculado ao Ministério da Saúde. Nogueira, que não foi reeleito em outubro, atuou como ministro do Trabalho na gestão do ex-presidente Michel Temer e enfrentou polêmicas à frente da pasta. 

Enquanto estava no ministério, Nogueira editou uma portaria que dificultava a repressão do trabalho escravo. A medida provocou reações tanto no cenário nacional quanto internacional. A Organização Internacional do Trabalho (OIT), deixou claro que a nova regra poderia aumentar a fragilidade da população. A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, por sua vez, classificou a medida como retrocesso e a ministra do Supremo Tribunal Federal, Rosa Weber, por fim, suspendeu os efeitos da medida.

O Ministério Público Federal do Distrito Federal propôs uma ação de improbidade administrativa contra Nogueira, sob a justificativa de que sua gestão agiu deliberadamente para enfraquecer a luta contra o trabalho escravo.

Além de ser centro de críticas, Nogueira teve seu nome citado no ano passado por um dos envolvidos na Operação Registro Espúrio, que investigava uma suposta organização criminosa que controlava registros sindicais. Preso, o ex-servidor Renato Araújo Júnior afirmou à Polícia Federal, que era mero “cumpridor de ordens” no esquema de fraudes na concessão de registros sindicais e apontou envolvimento do ex-ministro. Na ocasião, o ex-ministro negou envolvimento em qualquer irregularidade.

Apesar das polêmicas, Nogueira assume a direção da Funasa com padrinhos de peso. Os ministros da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e o da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, indicaram seu nome para ocupar o posto ainda em dezembro, durante o governo de transição do presidente Jair Bolsonaro. O ex-deputado, que é também pastor da Assembleia de Deus, mostrou sua força não apenas por ser escalado para o governo, mas por vetar nomes para a equipe de Bolsonaro. Ele foi, por exemplo, uma das vozes contrárias à indicação do escolha do diretor de Articulação e Inovação do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves Ramos, para comandar o Ministério da Educação. Nessa disputa, saiu vencedor.

Procurado nesta quarta-feira pela reportagem, Nogueira não respondeu até a conclusão desta edição.

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