Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Bolsonaro agora nega recriação de ministérios, mas confirma troca de Onyx na Cidadania

Presidente tinha afirmado que pastas do Esporte, da Cultura e da Pesca poderiam voltar a existir após eleição para presidência da Câmara

Camila Turtelli e Dida Sampaio, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2021 | 11h45
Atualizado 30 de janeiro de 2021 | 18h54

BRASÍLIA – Depois de dizer que poderia recriar ministérios, em um aceno claro aos parlamentares e seus votos para a presidência do Congresso, o presidente Jair Bolsonaro afirmou, neste sábado, 30, que não pretende anunciar novas pastas. Bolsonaro admitiu, no entanto, que vai retirar o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni da pasta para colocá-lo na Secretaria-Geral da Presidência. Na prática, com a troca, Bolsonaro abre nova vaga no Ministério. 

Onyx Lorenzoni deve assumir a Secretaria-Geral da Presidência, atualmente ocupada interinamente por Pedro Nunes Marques. “O Onyx? Volta. Conheço há muito tempo. Me ajudou muito. Acredito no trabalho dele. Chamo o Onyx de curinga, ele está pronto para ir para qualquer ministério”, respondeu Bolsonaro, ao ser questionado se Onyx voltaria ao Palácio do Planalto para assumir a Secretaria-Geral.

Na sexta-feira, 30, Bolsonaro condicionou a recriação de ministérios a votos em candidatos apoiados pelo governo. Ele admitiu que poderia recriar os ministérios do Esporte, da Cultura e da Pesca, após a eleição que vai renovar a cúpula do Congresso, na próxima segunda-feira, 1.

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“Se tiver o clima no Parlamento, (porque) ao que tudo indica as duas pessoas que nós temos simpatia devem se eleger – Arthur Lira (PP-AL) na Câmara e Rodrigo Pacheco (DEM-MG) no Senado –, não vamos ter mais uma pauta travada”, disse o presidente, na solenidade em que recebeu os novos atletas embaixadores dos Jogos Escolares Brasileiros, na qual poucos usavam máscara de proteção. “A gente pode levar muita coisa avante e quem sabe até (fazer) ressurgir ministérios.”

A redução de ministérios foi um dos temas mais explorados por Bolsonaro durante a sua campanha eleitoral, como forma de, supostamente, reduzir custos e queimar a gordura da máquina estatal. O número de pastas caiu de 29 para 22 ministérios. Agora, porém, dá sinais completamente inversos, para atender aos interesses dos novos aliados do Centrão, com os quais têm contado para emplacar Lira e Pacheco no Congresso.

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Neste sábado, Bolsonaro voltou atrás. Segundo o presidente, suas declarações sobre recriação de pastas teriam sido mal interpretadas. “Não tem recriação do ministério. Eu escolhi os três secretários – da Pesca, Esporte e Cultura –, que fazem um brilhante trabalho. O elogio que dei pra eles, no trabalho que eles fazem, é que eles mereciam ser ministros. Não é criar ministérios, como deram a entender, para negociar com quer que seja. Não é fácil criar ministério. É burocracia, um pouco mais de despesa. Não está previsto”, disse.

Eleições do Congresso

Bolsonaro reafirmou que está certo da vitória de Arthur Lira na presidência da Câmara. “Mas quem vai decidir é o parlamento. Respeitamos o parlamento. Sou simpático ao Arthur Lira e sou simpático também ao outro candidato ao Senado, o Rodrigo Pacheco”, disse.

Ele afirmou que, a partir da próxima semana, com a volta do Congresso, irá priorizar reformas, a privatização da Eletrobras e dos Correios.” A regularização fundiária é muito importante pra gente”, disse, acrescentando que a Câmara precisa de “um sucessor que atenda os interesses do Brasil e não deixe atrasar pautas de interesse nacional”.

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