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Bolsonaro nega que Pazuello sofra pressão de ala militar

Ministro da Saúde foi alvo de críticas após anunciar a compra de 46 milhões de doses da vacina chinesa

Bianca Gomes, Eduardo Gayer, Nicholas Shores e Daniel Galvão, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2020 | 20h51

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira, 22, que não há pressão da ala militar do governo para que o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, vá para a reserva. O general da ativa foi alvo de críticas após anunciar a compra de 46 milhões de doses da vacina chinesa, contrariando o discurso de Bolsonaro, que depois mandou cancelar o protocolo. "Não tem ala militar (no governo)", afirmou o mandatário em transmissão ao vivo. "Todos os ministros que trabalham comigo são pessoas que têm um compromisso com Brasil. Algum desentendimento acontece."

Mais cedo, em entrevista à rádio Jovem Pan, o mandatário disse que, por serem militares, ele e Pazuello sabem que “quando o chefe decide, o subordinado cumpre”. Ele apontou "precipitação" do ministro em assinar o protocolo e falou da necessidade de ser informado sobre uma decisão "tão importante" como essa. Apesar disso, garantiu a continuidade de Pazuello no cargo. 

Na live desta quinta, Bolsonaro justificou que a vacina ainda não foi reconhecida pelo Ministério da Saúde e nem certificada pela Anvisa. "Queriam que comprasse 100 milhões de doses da vacina da China. E a vacina não está pronta ainda."

Desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantã, a Coronavac contrapôs Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que anunciou a obrigatoriedade da vacinação no Estado

Segundo o instituto, a Coronavac demonstrou ser o imunizante em desenvolvimento no mundo com o menor índice de efeitos colaterais. Os resultados de eficácia devem sair no fim do ano, conforme revelou reportagem do Estadão.

Obrigatoriedade

Durante a transmissão ao vivo, Bolsonaro reforçou ser contrário à vacinação obrigatória e questionou o posicionamento dos ministros da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, e da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, que geralmente não participa das lives do presidente. Pontes, que na quarta-feira, 21, disse concordar com a obrigatoriedade de vacinação em casos "testados e comprovados", mudou de opinião ao lado de Bolsonaro e concordou que deveria ser "facultativa". 

Segundo o presidente, a Anvisa "não vai correr" para aprovar uma vacina contra a covid-19. "Não vai autorizar vacina em 72 horas."

Embora tenha citado ações impetradas junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tornar a vacinação obrigatória, Bolsonaro disse não acreditar em uma decisão nesse sentido e voltou a falar que o Programa Nacional de Imunização é competência do Ministério da Saúde. "É do Pazuello, que está muito bem. Estava mal pra caramba, rapidamente tomou cloroquina e escapou da covid-19", afirmou o presidente. Diagnosticado com o novo coronavírus, Pazuello participou de live mais cedo junto ao chefe do Executivo. 

O presidente chamou políticos que defendem a vacinação obrigatória de "aprendizes de ditadores" e de "figuras hipócritas e boçais". "Coca Cola, Tubaína. Cada um toma o que bem entender."

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