Antônio Cruz/Estadão
Antônio Cruz/Estadão

Bolsonaro: 'Não estou preocupado com reeleição, com trabalho ela vem'

No interior do Pará para inaugurar trecho pavimentado de rodovia, presidente afirmou que um novo mandato 'é algo natural' e que não depende de 'propaganda'

Débora Lobo, especial para O Estado

14 de fevereiro de 2020 | 17h44

GUARANTÃ DO NORTE (MT) - Em discurso na inauguração de um trecho pavimentado da BR-163 nesta sexta-feira, 14, entre os municípios de Moraes de Almeida e Novo Progresso, no Pará, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que não está preocupado com a reeleição e que sua eventual recondução ao cargo será "algo natural" e  que "se trabalhar, ela vem".

"Não estou preocupado com reeleição. A reeleição é algo natural, se você trabalhar, ela vem. E não é com propaganda também. Fiz minha campanha com aproximadamente R$ 2 milhões que vieram através de vaquinha", disse Bolsonaro, fazendo críticas ao Fundo Eleitoral, sancionado por ele no final de 2019 após ter sido aprovado pelo Congresso. "Quis o Parlamento assim. Paciência, vamos seguir o nosso destino", falou Bolsonaro.

O presidente também aproveitou para rebater as críticas envolvendo sua família. “Não é fácil; a família é atacada o tempo todo, os amigos seguem o mesmo destino, os interesses são os mais variados possíveis. Raramente querem o melhor para o seu país, mas aos poucos nós vamos mudando isso aí”, reclamou.

Bolsonaro inaugurou na tarde desta sexta-feira a pavimentação dos últimos 51 quilômetros da BR-163, no trecho entre o municípios de Moraes de Almeida e Novo Progresso, ambos no Pará. O Governo Federal investiu R$ 158 milhões na obra que foi realizada por servidores do DNIT, militares do Exército e funcionários de empresas contratadas. 

Mineração em terras indígenas e 'a Amazônia é nossa'

Acompanhado do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, e do diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT), General Santos Filho, Bolsonaro desembarcou na Base Militar da Serra do Cachimbo, na divisa entre Mato Grosso e Pará. No local, o presidente conversou com caminhoneiros e apoiadores, depois seguiu para cerimônia de entrega. Após o ato, Bolsonaro fez a entrega da Medalha de Mauá a militares pelos serviços prestados no transporte.

Durante o discurso, Bolsonaro voltou a defender a mineração em terras indígenas, além do uso dessas terras para cultivo, arrendamento e até construção de hidrelétricas.  "Nós queremos integrar. Não admitimos aqueles que querem que o índio permaneça como homem pré-histórico, preso em seu território", defendeu Bolsonaro.

O presidente repetiu que “a Amazônia é nossa” - nesta semana, ocorreu o lançamenot do Conselho da Amazônia, que será comandado pelo vice Hamilton Mourão.

Bolsonaro afirmou que quer integrar e evitar que a população indígena continue primitiva. “Apresentamos um projeto que não quer apenas dar direito a que se garimpe em terra indígena. Nós queremos que o índio tenha o mesmo direito que seu irmão ao lado, fazendeiro, tem, de garimpar, cultivar, arrendar sua terra, se for o caso construir PCH [Pequena Central Hidrelétrica], construir hidrelétricas. O índio é nosso irmão e estamos buscando integrá-lo à sociedade", disse o presidente, que não falou com a imprensa após o evento.

O governador do Mato Grosso, Mauro Mendes (DEM), que foi recebido com vaias, ressaltou a importância do asfalto para o escoamento da produção de grãos. Segundo Mendes, neste ano, 14 milhões de toneladas deverão ser escoadas. Ele ainda pediu ajuda da União para a finalização da Ferroarão, ferrovia que vai ligar Mato Grosso ao Pará, da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste e do asfaltamento da BR-158, nos 100 quilômetros que perpassa uma aldeia indígena.

Também presente, o governador do Pará Helder Barbalho (MDB) pediu ajuda para finalizar a pavimentação da BR-163, no trecho de Itaituba a Santarém, cerca de 50 quilômetros. Barbalho também foi vaiado.

O ministro Tarcísio Gomes, da Infraestrutura, prometeu trabalhar pela Ferroarão e outras estradas que ainda necessitam de pavimentação.

Segundo o DNIT, além da pavimentação também foi realizada juntamente com Exército Brasileiro a manutenção em 1,3 mil km na rodovia entre Mato Grosso e Pará.

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