Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

‘Bolsonaro não é de direita, não é nada. É só um populista’, diz Santos Cruz em evento de Moro

Ex-ministro do governo Bolsonaro, general deve se filiar ao Podemos, seguindo ex-juiz, mas ainda não definiu que cargo vai disputar

Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2021 | 11h22

BRASÍLIA — Um dos principais convidados do evento de filiação de Sérgio Moro ao Podemos, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz criticou fortemente o presidente Jair Bolsonaro, de quem foi ministro. Para ele, Bolsonaro se apresentou na campanha “com um discurso do qual ele não cumpriu nada”.

“Na campanha de 2018, existia um entusiasmo muito grande para encerrar aquele período do PT. O PT estava desgastado por escândalos financeiros, escândalos de corrupção. Então, existia um entusiasmo geral para terminar aquele período e começar um novo. E Bolsonaro se apresentou com um discurso do qual ele não cumpriu nada”, disse o general.

“Então, ele pegou muito voto anti PT. Não pegou só voto bolsonarista. Tem gente que simpatiza com ele. Normal. Mas tem muita gente que foi com ele porque era anti PT. Esse pessoal está desiludido. Porque ele é tão populista quanto o governo que veio antes. Ele não é de direita. Ele não é nada. Ele é um populista”, criticou.

Para o general, Bolsonaro é o responsável direto pelos problemas envolvendo o esquema do orçamento secreto em troca de apoio no Congresso.

“Esse é o problema. Uma coisa é a negociação política. Outra coisa é compra de apoio. Compra de apoio se chama destruição da democracia. É isso que está acontecendo. O presidente não está incentivando. É ele quem está fazendo. Ele que é o responsável”, afirmou.

Para ele, Moro poderá construir um outro tipo de relação, se for eleito presidente: “Você tem de estabelecer outros padrões de negociação política. Quando você é viciado em negociar só dinheiro e cargo dá nisso aí. Você tem de ter outros padrões de negociação, de respeito”.

Santos Cruz acredita que, se Moro confirmar sua candidatura, terá condições de romper a polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva e Bolsonaro, indicada hoje pelas pesquisas.

“Sem dúvida, ele tem condições. O eleitor é que vai romper. O eleitor é quem vai ter a oportunidade de escolher.”

O general prevê um quadro muito ruim caso Lula ou Bolsonaro vençam em 2022. “Se algum deles ganhar, você já sabe o que vai acontecer. Vão continuar os mensalões, vão continuar os orçamentos secretos. Mas acredito que não vai ser essa a opção do Brasil”, disse o ex-ministro.

Santos Cruz deve se filiar também ao Podemos, mas ainda vai definir para qual cargo pretende concorrer.

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