EFE/ Fabio Motta
EFE/ Fabio Motta

Bolsonaro mantém silêncio sobre prisão do aliado Crivella

Na campanha eleitoral deste ano, o presidente pediu votos para o então candidato à reeleição

Jussara Soares e Emilly Benhke, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2020 | 19h22

BRASÍLIA - De férias no litoral de Santa Catarina, o presidente Jair Bolsonaro procurou nesta terça-feira manter distância da repercussão provocada pela prisão do prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos). Bolsonaro passou o dia em silêncio e não comentou a operação que atingiu o aliado - para quem pediu votos na campanha eleitoral deste ano.

Na busca pelo segundo mandato, Crivella teve autorização para usar a imagem do presidente na corrida eleitoral, mas foi derrotado pelo ex-prefeito Eduardo Paes (PSB) em novembro. Após Crivella ser preso, a nove dias de encerrar o mandato - acusado de corrupção -, fotos e vídeos de Bolsonaro ao lado do prefeito passaram a ser compartilhados nas redes sociais, lembrando a proximidade entre eles. Uma das imagens mais compartilhadas é a do chefe do Executivo federal dançando com Crivella em um culto no Rio.

Ganharam destaque, ainda, trechos de lives em que o presidente aparece pedindo voto para reeleger o prefeito. Além disso, adversários destacaram que dois dos filhos de Bolsonaro - o senador Flávio e o vereador Carlos - são filiados ao Republicanos, partido de Crivella, ligado à Igreja Universal do Reino de Deus. 

Embora a situação provoque desgaste para Bolsonaro, interlocutores do governo procuram minimizar os fatos, sob o argumento de que o presidente não pode ser cobrado por atos de terceiros. “Isso aí é questão policial, segue o baile, investigação e acabou”, afirmou o vice-presidente Hamilton Mourão. “Para o governo não tem impacto nenhum. Não tem nada a ver com a gente.”

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