Igor Estrela/Estadão
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Bolsonaro manda emissário para salvar aliança com PRP

Líder nas pesquisas de intenção de voto em cenários sem o ex-presidente Lula, deputado enfrenta dificuldades para angariar apoio de outros partidos nas eleições de 2018

Constança Rezende e Leonencio Nossa, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2018 | 12h49
Atualizado 19 de julho de 2018 | 18h35

RIO E GOIÂNIA - Um dia após a negativa do PRP em apoiá-lo nas eleições 2018, o pré-candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, ainda tenta salvar a aliança com o PRP para ter como vice na chapa o general Augusto Heleno (PRP). O presidente nacional do PSL, Gustavo Bebianno, viaja nesta quinta-feira, 19, para São Paulo, onde tentará um encontro com o presidente do PRP, Ovasco Resende. Em Goiânia, no entanto, onde cumpre agenda de pré-campanha, o deputado ironizou a dificuldade em encontrar aliados. 

Ao Estado, Resende confirmou que Bebianno entrou em contato com representantes do partido em Brasília, ligados a Bolsonaro, para perguntar se ele o receberia. “Eu disse para o pessoal do PRP-DF que atenderia Bebianno, assim como atenderia qualquer presidente nacional sem problema nenhum. Eu administro o partido, não posso falar não. Devo atender a todos, como estamos fazendo”, disse.

O dirigente disse que aguarda agora a ligação de Bebianno para marcar o encontro. “Eles disseram que ele (Bebianno) iria me ligar, que ele estaria aqui em São Paulo hoje para outras reuniões. É só ele me ligar para saber onde eu estou porque tenho uma agenda extensa hoje, que vai até a madrugada. Vou atende-lo na medida do possível”, afirmou.

Apesar da tentativa do partido de Bolsonaro, Resende disse ao Estado que a união "é muito difícil".  Segundo ele, já há quase unanimidade no partido nessa questão.

"O PRP já fez as construções mediante as coligações proporcionais e as majoritárias. É um trabalho que vem sendo construído há um ano, no dia-a-dia. Não dá para interromper isso agora, de cima pra baixo, porque o PRP pode ter um prejuízo muito grande", disse.

Resende também criticou o prazo "para ontem" que o PSL teria dado para o PRP se decidir sobre o vice. "O PRP sempre prezou por buscar inovação, novos talentos para a política. Mas sem desespero, sem correria. A política dessa forma, para nós, não funciona", explicou.

Mais cedo, Bolsonaro declarou em sua conta no Twitter jamais ter firmado compromisso com os partidos que rejeitaram a aliança com o PSL “O nosso partido é o povo e não os líderes partidários que representam o atual sistema no Brasil”, afirmou na rede social.

Viagem

Em Goiânia, o deputado  ironizou a falta de acordo para conseguir alianças eleitorais. "Eu não quero apoio para 2018, não. Quero para 2022, porque 2018 já era", afirmou o militar reformado em tom de brincadeira após ouvir de aliados que ele "já estava eleito" neste ano.

Líder nas pesquisas de intenção de voto em cenários sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Bolsonaro enfrenta dificuldades para angariar apoio de outros partidos. Em menos de 48 horas, teve frustrada a negociação com o PR do ex-deputado Valdemar Costa Neto e com o nanico PRP - legenda do general da reserva Augusto Heleno Ribeiro, cotado até então como vice na chapa. 

"Vocês viram que ninguém quer fazer acordo comigo. O meu apoio é o povo. Eles podem ter muita coisa, mas não têm o carinho e a consuperação de vocês", disse a militantes que o aguardavam no aeroporto de Goiânia na manhã desta quinta.

Segundo Bolsonaro, uma das opções para formar sua chapa como vice é a advogada Janaína Pascoal, uma das co-autoras do pedido de impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff. Ela é recém-filiada ao PSL de Bolsonaro. "Temos que ver as afinidades com Janaína, nas questões como MST, a maioridade. Ver como estará a situação dela em relação à família para uma campanha. Ela é uma guerreira. Hoje, o general (Alberto) Mourão está no banco, junto com a Janaína", disse. "Temos que conversar com o Levy Fidelix (presidente do PRTB, partido de Mourão)."

Apesar do discurso de que não precisar do apoio de partidos, o pré-candidato disse que ainda negocia com o PRP de Heleno. "Estamos conversando ainda com o PRP para uma aliança apenas nacional. Devo conversar ainda com o general Heleno até amanhã. Quando ele foi lançado, foi um sucesso nos Estados. Todos queriam tirar foto com ele", afirmou. 

Integrantes da campanha dizem, porém, que as conversas com o PRP se esgotaram e que Heleno terá outra função na campanha.

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