Marcos Corrêa/PR - 14/8/2021
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Bolsonaro indica veto a quarentena para juízes, militares e policiais nas eleições

Presidente fez um apelo para que a Câmara não aprove o dispositivo e disse que não 'prejudicaria todo mundo' apenas para 'tirar Sérgio Moro' da disputa

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2021 | 20h16

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro indicou na sua live desta quinta-feira, 26, que pode vetar o artigo do Código Eleitoral que prevê quarentena para juízes, militares e policias se candidatarem a cargos eletivos. O presidente fez um apelo para que a Câmara não aprove o dispositivo e disse que não “prejudicaria todo mundo” apenas para “tirar Sérgio Moro” da disputa, numa referência ao ex-ministro da Justiça, hoje seu adversário. “Quero mais que o Sérgio Moro dispute e, se ganhar, vou dar boa sorte para ele”, afirmou.

Na avaliação do presidente, a quarentena é “uma tremenda discriminação”. “O policial, o militar e o juiz também têm direito de se candidatar. Para tirar o Sérgio Moro não posso prejudicar todo mundo”, disse. Ex-juiz da Lava Jato, Moro pode tirar votos de Bolsonaro caso aceite participar da corrida, mostram as pesquisas eleitorais.

O presidente ressaltou que, embora o Parlamento faça tudo ao contrário do que ele pede, arriscaria a um novo apelo. “Tudo o que eu peço ao Parlamento eles fazem o contrário. Mas peço que não aprovem. Por que só para essas categorias? Sou contra (o projeto)”, disse.

O texto prevê a exigência de uma quarentena de cinco anos para que militares, policiais, juízes e promotores possam concorrer às eleições. A regra foi incluída no texto da deputada Margarete Coelho (PP-PI), relatora do novo projeto da reforma eleitoral, nesta quarta-feira, 25, e vinha sendo debatida nos bastidores do Congresso.

Nos últimos 15 dias, Bolsonaro sofreu derrotas consecutivas no Congresso. Nesta quarta-feira, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), arquivou pedido do mandatário para abertura de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. No início do mês, a Câmara derrubou proposta de retomada do voto impresso no País, a maior bandeira política do presidente. 

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