Joedson Alves/Reuters - 28/2/2019
Joedson Alves/Reuters - 28/2/2019

Indicada por Guaidó ganha credencial de Bolsonaro

Embaixadora María Teresa Belandria já atuava no País em nome do autoproclamado presidente da Venezuela

Julia Lindner e Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2019 | 11h30

BRASÍLIA - Em mais um ato diplomático contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, o presidente da República, Jair Bolsonaro, recebeu nesta terça-feira, 4, oficialmente as cartas credenciais da embaixadora María Teresa Belandria, representante do autoproclamado presidente do país, Juan Guaidó, opositor cuja legitimidade é reconhecida pelo Brasil.

O Palácio do Planalto avaliou não haver potencial de retaliações por parte de Maduro. No entanto, inicialmente havia restrições na assessoria militar do presidente para a entrega da carta à embaixadora.

Desde que Bolsonaro decidiu reconhecer Guaidó como presidente venezuelano existe um temor de que ações diplomáticas prejudiquem o relacionamento entre as Forças Armadas dos dois países, considerado bom. Militares brasileiros mantêm um canal de diálogo com os oficiais generais bolivarianos, o principal esteio interno do regime chavista.

Questionado, o porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, que é general da ativa do Exército, disse não ter presenciado nenhum militar de alta patente fazer restrições a Bolsonaro quanto ao reconhecimento de María Teresa como chanceler venezuelana no Brasil. Ele, no entanto, afirmou que a decisão de Bolsonaro foi baseada em parecer de sua assessoria pessoal e do Ministério das Relações Exteriores, cujos chefes são simpáticos ao rompimento com Maduro e ligados ao escritor Olavo de Carvalho.

“O apoio do Brasil aos defensores da liberdade e da democracia na Venezuela segue claro e inequívoco”, disse o porta-voz da Presidência. “A decisão não implica a expulsão dos diplomatas venezuelanos que se encontram no País por determinação de Maduro ou em qualquer ação similar, sendo apenas a oficialização da acreditação da embaixadora da Venezuela.”

A entrega das cartas credenciais é um ato formal de reconhecimento da presença de um embaixador no Brasil. Na prática, depois de nomeados em seus países eles assumem as embaixadas imediatamente. Pode levar meses até que sejam recebidos, num mesmo dia, em sequência, em encontro protocolar com o presidente no Planalto. A cerimônia costuma ser pública. Além de María Teresa, Bolsonaro aceitou nesta terça as credenciais dos embaixadores de sete países: México, Colômbia, Paraguai, Arábia Saudita, Peru, Guiné e Indonésia.

Na prática, María Teresa já atuava em solo brasileiro desde fevereiro em nome de Guaidó, tendo participado de eventos com Bolsonaro e encontros de credenciamento no Itamaraty, com o chanceler Ernesto Araújo, e até com o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente.

Em maio, o deputado recebeu a diplomata no gabinete da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara, que preside, e anunciou que as credenciais dela seriam aceitas ontem pelo País. O nome de María Teresa, porém, não constava na lista dos embaixadores que seriam recebidos por Bolsonaro. O governo avaliava adiar a entrega. María Teresa foi incluída na noite anterior, segundo uma fonte do Planalto.

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