Agência Câmara
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Bolsonaro grava vídeo em tom amistoso com Arthur Lira, líder do Centrão na Câmara; veja

Nas imagens, presidente manda saudações a familiares e elogia o deputado alagoano; Lira ambiciona disputar a próxima eleição interna na Câmara, para suceder Rodrigo Maia

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2020 | 03h19

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro gravou um vídeo em tom amistoso ao lado do deputado Arthur Lira (AL), líder do partido Progressista na Câmara e um dos expoentes do Centrão. Lira ambiciona disputar a próxima eleição interna na Câmara, para suceder o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) na presidência. O plano de Lira pode prejudicar articulações de bastidores pela recondução de Maia – o governo trabalha contra.

No vídeo, Bolsonaro manda saudações a familiares do deputado alagoano. O presidente afirma que Lira é “pai e maridão”, enquanto o parlamentar diz que seus familiares são fãs e a “toda hora” pediam uma gravação ao lado de Bolsonaro. Ambos sorriem em clima fraterno. A gravação ocorreu no gabinete do presidente, no Palácio do Planalto, onde Lira esteve na segunda-feira, dia 20.

Nas cotações do Congresso, a cena aumentou especulações de que o deputado possa vir a ter o apoio do Planalto na futura disputa pela chefia da Câmara. Lira se ressente de Maia ter insistido em disputar a última eleição, no ano passado, quando já pleiteava o direito de ser o nome do Centrão. O líder do Progressista, antigo PP, rompeu com Maia e articulou um bloco com a esquerda, mas desistiu quando percebeu que não teria apoio. 

O partido de Lira integra o bloco informal que comanda a Câmara desde 2015, com a chegada do ex-deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ) ao poder, e era visto até pouco tempo com ressalvas no bolsonorismo. Aliados de Bolsonaro diziam publicamente que o Centrão era o grande adversário dele. O grupo comandou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. A maior parte do Centrão, inclusive o PP, era governo, mas abandonou Dilma para voltar ao poder com o sucessor dela, o ex-presidente Michel Temer.

Tudo mudou quando Bolsonaro decidiu tentar reduzir o poder de articulação de Maia. Os dois vivem um dos momentos de maior atrito, e Bolsonaro está convencido de que o presidente da Câmara tenta derrubá-lo. Maia reclama do tratamento, mas se esquiva para não acirrar um clima de tensão favorável a Bolsonaro.

O Planalto começou a procurar partidos do Centrão aliados a Maia, o Progressista entre eles, para investir num relacionamento direto com as bancadas da Câmara. A estratégia é contornar o presidente da Casa. Em troca, nos bastidores, o governo acena com espaços na estrutura do governo para receber indicações políticas do bloco capaz de impor derrotas e conquistar vitórias em votações. 

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