TWITTER/JAIR BOLSONARO
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Bolsonaro faz nesta segunda-feira nova cirurgia em São Paulo

Presidente vai retirar bolsa de colostomia usada desde o atentado sofrido em setembro; Mourão assume com missão de administrar governo em ‘perfeita sintonia’

Tânia Monteiro e Paula Reverbel, O Estado de S.Paulo

28 Janeiro 2019 | 03h00

A cirurgia para a retirada da bolsa de colostomia do presidente Jair Bolsonaro começou por volta das 7h desta segunda-feira, 28, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, segundo informações do Palácio do Planalto. Ao ser internado, Bolsonaro repassa pela segunda vez o comando do governo ao vice Hamilton Mourão, com quem se reuniu na sexta-feira, 25, por duas horas para acertar os termos da nova interinidade. A ideia é que o núcleo do presidente no hospital fique reduzido a familiares e a poucos assessores, cabendo a Mourão e a “ministros da Casa” (como o general Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional, e Onyx Lorenzoni, da Casa Civil) a administração do Planalto. A intenção é só levar a Bolsonaro o que for considerado absolutamente imprescindível.

Bolsonaro se internou no domingo cedo e, segundo previsão inicial dos médicos, deve ficar no hospital por cerca de dez dias. Durante as primeiras 48 horas pós-cirurgia, ficará na UTI, com Mourão como presidente em exercício. Nesses dez dias, parte das atenções do governo estará voltada para assuntos como a escolha dos novos presidentes e dos integrantes das mesas diretoras da Câmara e do Senado. A eleição está marcada para 1.º de fevereiro, e o Planalto aposta na escolha de nomes que possam dar respaldo à aprovação de projetos como a reforma da Previdência

Um primeiro movimento do governo provocou reação no Senado. Onyx foi acusado de tentar intervir na disputa na Casa, ao articular apoio a Davi Acolumbre, do DEM, mesmo partido do ministro. Entre os possíveis candidatos, estão também Renan Calheiros (MDB-AL) e Simone Tebet (MDB-MS). Embora o governo diga, oficialmente, que vai manter neutralidade, internamente há quem defenda até Renan - visto inicialmente como oposição ao novo governo.

“O presidente vem se manifestando, em todos os momentos, que não há interferência do governo nessa questão”, disse Mourão, neste domingo, 27, ao Estado. “A exemplo do que tem feito o presidente, eu não vou interferir nisso. Em absoluto.”

UTI

A primeira interinidade de Mourão durou os quatro dias em que Bolsonaro passou em Davos, na Suíça, participando do Fórum Econômico Mundial. Nesta segunda vez, apesar de oficialmente estar prevista para valer nas 48 horas em que o presidente estiver na UTI, vai durar na prática mais tempo, já que a ideia é que Mourão administre o governo “em perfeita sintonia”. Os ministros devem permancer em Brasília e seguir a São Paulo apenas se forem chamados para “casos urgentes”. Mas nada antes de quarta-feira. 

Em um primeiro momento, apenas os generais Augusto Heleno e Otávio Rêgo Barros, porta-voz do Planalto, além de alguns auxiliares mais próximos do gabinete pessoal, viajaram a São Paulo. Eles vão ficar hospedados em um hotel onde foi montado um mini “quartel-general” de apoio ao governo. Uma outra estrutura será oferecida para uso de Bolsonaro no próprio hospital, para eventuais reuniões de trabalho, mediante autorização dos médicos. Passada a cirurgia, o general Heleno retornará a Brasília. 

Todo o mais será resolvido por Mourão e a equipe de “ministros da casa”. Mourão já está designado para comandar a reunião ministerial de amanhã, em Brasília. Só depois do período em que Bolsonaro permanecer “incomunicável” na UTI é que ele poderá chamar algum ministro, que irá de Brasília para São Paulo em aviões da FAB que já estão acertados.

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Se Deus quiser, correrá tudo muito bem. Muito obrigado a todos vocês e obrigado pelas orações. O Brasil é nosso
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Jair Bolsonaro, Presidente

Internação

Bolsonaro chegou por volta das 10h30 deste domingo ao hospital, acompanhado pela primeira-dama, Michelle Bolsonaro, o filho Eduardo Bolsonaro (deputado federal pelo PSL), por Augusto Heleno, pelo porta-voz, pelo chefe de gabinete Pedro César Nunes e seguranças. No final do dia, o vereador Carlos Bolsonaro se juntou ao grupo. 

Segundo boletim médico divulgado à tarde pelo hospital, o presidente foi submetido “à avaliação clínica pré-operatória, exames laboratoriais e de imagem, com resultados normais”. “A cirurgia de reconstrução do trânsito intestinal está confirmada para amanhã (segunda).”

Será o terceiro procedimento cirúrgico de Bolsoanro desde que ele foi vítima de um atentado, em setembro passado, ainda durante a campanha eleitoral. Segundo médicos ouvidos pelo Estado, a nova cirurgia tende a ser mais tranquila do que as anteriores por não ser uma intervenção de emergência e porque foi agenda para um momento em que Bolsonaro está em boas condições físicas.

(A cirurgia) Deve durar por volta de três horas e, se Deus quiser, correrá tudo muito bem. Muito obrigado a todos vocês e obrigado pelas orações. O Brasil é nosso”, afirmou Bolsonaro, em vídeo postado no Twitter. No vídeo, gravado em um quarto do hospital, o presidente aparece com um avental azul usado por pacientes. Mais cedo, também pelo Twitter, Eduardo Bolsonaro escreveu que o clima era de otimismo, assim que desembarcaram “para a bateria de exames preparatórios para a cirurgia” que “vai reconstruir seu intestino, rompido pelo ex-militante do PSOL” (autor-confesso do ataque, Adélio Bispo dos Santos foi filiado ao partido até 2014, mas a legenda rechaça qualquer envolvimento no episódio).

À tarde, o presidente recebeu a visita do empresário Fábio Wajngarten, que ajudou a articular, com o embaixador de Israel, Yossi Shelly, a vinda da ajuda humanitária para as vítimas do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG). 

 

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