Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Bolsonaro faz discurso com 'paredão' de ministros de caras fechadas

Objetivo era demonstrar que presidente não está isolado; no entanto, auxiliares lamentam saída de Moro

Jussara Soares, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2020 | 19h37

BRASÍLIA – A estratégia era mostrar força e unidade no governo. O presidente Jair Bolsonaro convocou seus ministros, filhos e aliados para estarem ao seu lado durante o pronunciamento sobre a demissão de Sergio Moro da pasta de Justiça e Segurança Pública. Vestidos em tons sóbrios e com feições fechadas, eles formaram um “paredão” atrás do presidente e ouviram dele que não haverá tolerância a quem ousar confrontá-lo.

O objetivo era demonstrar, ao máximo, que Bolsonaro não está isolado e que tem o apoio de seus principais auxiliares. Nos bastidores, no entanto, integrantes do governo só lamentavam a saída de Moro, o nome mais popular do governo. “Não posso aceitar minha autoridade confrontada por qualquer ministro. Assim como respeito a todos, espero o mesmo comportamento. Confiança é uma via de mão dupla”, disse Bolsonaro. “O governo não pode perder sua autoridade por questões pessoais de alguém que se antecipa a projetos outros”, afirmou.

No dia 5 de abril, o presidente, em meio à crise com o então ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, disse que usaria sua caneta contra integrantes do governo que viraram "estrelas." Na ocasião, a fala também foi entendida como um recado a Moro e até mesmo a Paulo Guedes, ministro da Economia.

Ao discursar nesta tarde, Bolsonaro teve ao seu lado, na primeira fileira, o vice-presidente Hamilton Mourão e os ministros Walter Braga Netto (Casa Civil), Fernando Azevedo (Defesa), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Paulo Guedes (Economia) e Tereza Cristina (Agricultura).

Guedes era o único de máscara e sem terno. Na internet, o calçado do ministro virou debate entre os internautas que discutiram se ele estava de meias ou um sapato mais confortável. O ministro, na avaliação de interlocutores do governo, é o próximo alvo do presidente.

Cotado para substituir Moro, o ministro Jorge Oliveira (Secretaria-Geral) permaneceu na segunda fileira, junto com outros ministros, entre eles Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo. Durante o discurso, Bolsonaro não mencionou Oliveira nenhuma vez, nem vez menção sobre o substituto de Moro.

Atrás também estava Abraham Weintraub (Educação), que ficou fora da imagem das emissoras de TV e foi à internet depois dizer que estava onde sempre estará “ao lado do presidente.”

Também estiveram presentes no pronunciamento os advogados do presidente, Karina Kufa e Frederick Wassef, que também fazem a defesa do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) no caso envolvendo o pagamento de “rachadinha” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Alguns aliados e integrantes do segundo escalão apareceram, mesmo sem ser convidados, para prestar solidariedade. A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) chegou pouco antes do início do pronunciamento. Amigo do presidente, o deputado Hélio Lopes (PSL-RJ) acompanhou o discurso ao lado de Eduardo Bolsonaro. Flávio Bolsonaro, por sua vez, também assistiu à fala do pai. O vereador Carlos Bolsonaro não estava presente no local do pronunciamento.

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