Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Bolsonaro fala a apoiadores em ‘tocar o barco’ e resolver ‘questão da Saúde’

Demissão do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, é dada como certa após a demissão de um de seus secretários

Emilly Behnke, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2020 | 15h17
Atualizado 15 de abril de 2020 | 20h06

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira, 15, que trabalha para resolver "a questão da Saúde" e "tocar o barco". A declaração foi feita a apoiadores que o aguardavam em frente ao Palácio da Alvorada, pela manhã. O ministro da pasta, Luiz Henrique Mandetta, já avisou a auxiliares que o presidente pretende demiti-lo. A saída, porém, só deve ocorrer quando o governo encontar um nome para substituí-lo.

“Pessoal, estou fazendo a minha parte, tá ok?”, disse o presidente para apoiadores sobre a crise do coronavírus. Há alguns dias, Bolsonaro e Mandetta têm divergido sobre a melhor estratégia de combate à pandemia. 

O estopim da nova crise foi a entrevista dada por Mandetta ao programa Fantástico, da Rede Globo, na noite de domingo. O tom adotado pelo ministro foi considerado por militares do governo e até mesmo por secretários estaduais da Saúde como uma “provocação” ao presidente.

Na terça-feira, 14, em entrevista da estreia da série “Estadão Live Talks”, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que Mandetta "cruzou a linha da bola” quando disse, no domingo, que a população não sabe se deve acreditar nele ou em Bolsonaro. 

A saída do ministro é dada como certa após a carta de demissão do secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira. A saíde de Wanderson, no entanto, não foi aceita por Mandetta. Ele é apontado como um dos principais formuladores da estratégia do Ministério da Saúde para enfrentar a covid-19 e vinha se queixando a colegas sobre o discurso do presidente contrário ao isolamento social mais amplo. Em carta de despedida, o agora ex-secretário diz que a demissão de Mandetta está "programada para as próximas horas ou dias".

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