DIDA SAMPAIO/ESTADAO
DIDA SAMPAIO/ESTADAO

Bolsonaro evita comentar demissão na PF e diz que 'imprensa errou tudo'

No Twitter, presidente destaca que legilslação estabelece ser sua função nomear diretor-geral do órgão; tradição é que escolha seja do ministro da Justiça

Jussara Soares, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2020 | 10h42

BRASÍLIA - Horas após o Diário Oficial da União (DOU) confirmar a saída de Maurício Valeixo do comando da Polícia Federal, o presidente Jair Bolsonaro se recusou a comentar a demissão  ao deixar o Palácio do Alvorada na manhã desta sexta-feira, 24,  e rebateu dizendo que a imprensa “errou tudo” no dia anterior. Às 11h, o ministro da Justiça, Sergio Moro, dará uma entrevista coletiva em que anunciará sua saída do cargo.

Na quinta-feira, após ser avisado pelo presidente que Valeixo seria demitido, Moro disse a diversos interlocutores do governo que avaliaria se seguiria no cargo caso o chefe da PF fosse trocado. Nos bastidores, ministros do Palácio do Planalto passaram a agir para tentar evitar a saída de Moro e encontrar um nome para a Polícia Federal que satisfizesse ambos. O substituto de Valeixo ainda não foi anunciado. 

“Imprensa, vocês erraram tudo no dia de ontem”, disse Bolsonaro aos repórteres, após cumprimentar apoiadores.

Em seguida, o presidente usou as redes sociais para falar indiretamente sobre a exoneração de Valeixo. Bolsonaro citou a Lei 13.047, de 2014, que reorganiza a carreira de policiais federais. O chefe do Executivo destacou o artigo da legislação que estabelece que o cargo de diretor-geral da instituição é nomeado pelo presidente da República. Embora seja prerrogativa do presidente, tradicionalmente a escolha é feita pelo ministro da Justiça.

A publicação acompanhava foto do decreto de exoneração de Valeixo com o trecho "EXONERAR, a pedido" destacado em amarelo.

Após a resistência de Moro sobre a demissão de Valeixo ser noticiada pela imprensa, apoiadores do presidente, seguindo uma estratégia do Planalto, passaram a dizer que se tratava de “fake news.”  Tanto interlocutores de Moro quanto do presidente confirmaram nos bastidores a nova crise. 

Na prática, Valeixo já havia tratado com Moro, no início do ano, de sua saída do cargo de diretor-geral da corporação. Homem da confiança do ex-juiz da Lava Jato, o delegado demonstrou exaustão no cargo, reportando-se a um 2019 tenso no comando da PF. O ministro tentava encontrar um nome de sua confiança para o posto antes de a saída ser oficializada, mas foi surpreendido pelo comunicado de Bolsonaro de que a mudança na corporação ocorreria. 

Logo de manhã o presidente recebeu no Alvorada o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, e o líder do governo na Câmara, deputado Vitor Hugo (PSL-GO), além de outros deputados vice-líderes do governo. Durante o dia,  agenda de compromissos oficiais de Bolsonaro ainda inclui reuniões com os ministros Tarcísio de Freitas, da Infraestrutura, e Rogério Marinho, do Desenvolvimento Regional.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.