Adriano Machado/ Reuters
Adriano Machado/ Reuters

Bolsonaro evita apoiadores após prisão de Queiroz

Apoiador que filmava não escondeu a frustração: 'O presidente não parou. Segunda vez'

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2020 | 13h53

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro tem evitado  o contato direto com seus apoiadores desde a prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), seu filho mais velho. Nesta sexta-feira, 19, o presidente ignorou pelo segundo dia consecutivo o grupo que diariamente o aguarda em frente ao Palácio da Alvorada pela manhã e no fim da tarde.

A passagem do comboio presidencial chegou a ser registrada ao vivo por um canal bolsonarista que todos os dias transmite as conversas. O apoiador que filmava, ao fundo, não escondeu a frustração. "O presidente não parou. Segunda vez."

A única manifestação pública de Bolsonaro sobre o caso até agora foi feita em sua live semanal, na noite de quinta-feira, em que falou rapidamente sobre a prisão, tratada por ele como "espetaculosa". “O Queiroz não estava foragido e não havia nenhum mandado de prisão contra ele. Foi feita uma prisão espetaculosa”, disse. “Parecia que estavam prendendo o maior bandido da face da terra.”   

Queiroz foi  encontrado ontem em um imóvel do advogado Frederick Wassef, que defende Flávio e se apresenta como “consultor jurídico” do presidente. “Parecia que estavam prendendo o maior bandido da face da terra”, disse Bolsonaro.

A prisão colocou o Palácio do Planalto em alerta. Na manhã de ontem, auxiliares de Bolsonaro foram convocados às pressas para uma reunião de emergência. A prisão do ex-assessor de Flávio, filho mais velho do presidente, foi discutida no encontro, que durou duas horas. A conclusão foi a de que era preciso tentar afastar Wassef do presidente.

À tarde, a advogada Karina Kufa, que defende Bolsonaro, divulgou nota para afirmar que Wassef não representa o presidente em nenhuma ação judicial. “O advogado Frederick Wassef não presta qualquer serviço advocatício em nenhuma ação em que seja parte o senhor Jair Messias Bolsonaro e não faz parte do referido escritório, não constando seu nome em qualquer processo”, diz a nota assinada por Kufa.

O comunicado, porém, não cita o livre acesso de Wassef nos palácios do Planalto e da Alvorada. O advogado esteve ao menos oito vezes com Bolsonaro nos últimos meses, mas nem todas as visitas foram registradas na agenda – apenas três delas. A interlocutores, Wassef sempre se vangloriou da proximidade com a família presidencial. Recentemente, contou ter sido chamado pelo presidente para dar uma volta de jet-ski no Lago Paranoá.

Em dezembro do ano passado, o próprio Bolsonaro disse à imprensa que era representado por Wassef. O presidente se reuniu com o advogado e com Flávio no Palácio da Alvorada, em 18 de dezembro de 2019 – dia em que foi deflagrada uma operação no Rio de Janeiro para investigar um esquema de “rachadinha” no gabinete do filho “01”. A prática consiste no repasse de parte do salário do servidor a políticos e assessores.

No dia seguinte, o presidente foi questionado sobre a operação, e disse aos repórteres para perguntarem ao seu advogado.

“O senhor esteve aqui com o advogado ontem?”, indagou um repórter. “Estive. Ele é meu advogado no caso Adélio (Bispo, autor de uma facada contra o presidente, na campanha eleitoral de 2018)”, respondeu Bolsonaro, que havia se reunido com Wassef e Flávio na véspera.

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