Bolsonaro está cercado de desgraças por todo lado, a pandemia é a pior delas

Só faltava o presidente enterrar o teto de gastos, como fez com o Plano Real. Não falta mais. Paulo Guedes derreteu. Sua equipe bateu em retirada. Logo, a CPI não é o único flanco

Eliane Cantanhêde - O Estado de S.Paulo

Ao reagir ao relatório final da CPI da Covid imitando uma gargalhada tétrica do pai, o senador Flávio Bolsonaro mostra o quanto as verdades narradas em mais de mil páginas preocupam o núcleo do poder, inclusive porque o presidente Jair Bolsonaro já se debate num turbilhão de problemas que traga o Brasil e os brasileiros para o fundo do poço.

Se já não tem uma única resposta razoável para o relatório da CPI e os nove crimes que lhe são atribuídos durante a pandemia, tudo fica muito pior com inflação, miséria, famílias disputando ossos, a classe média irada com supermercado, gasolina e luz, as empresas apavoradas com tudo isso, mais juros e dólar e o mercado em polvorosa.

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia Paulo Guedes. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Só faltava Bolsonaro enterrar o teto de gastos, como fez com o Plano Real. Não falta mais. Paulo Guedes derreteu. Sua equipe bateu em retirada. Logo, a CPI não é o único flanco, é apenas mais um. E que flanco!

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Começa agora um empurra-empurra. A PGR adianta que as ações penais contra Bolsonaro já vêm sendo descartadas por iniciativa da própria procuradoria e que por aí não há muito o que fazer, só sobra o crime de responsabilidade, que tem natureza política e depende da Câmara. Mas a Câmara também finge que não é com ela.

É claro que a cúpula da CPI já esperava essas duas fortalezas em defesa de Bolsonaro e não está de braços cruzados. Recorre ao artigo 5.º da Constituição para acionar um plano B, caso a PGR não acate o relatório e não faça nada: uma ação subsidiária privada, em contraposição à ação penal pública. Alerta, a PGR rebate: isso só vale se perder o prazo de 15 dias, não se, neste tempo, disser sim ou não para o todo ou partes do relatório. Ou seja: dar andamento ou arquivar.

Há também um plano B para a Câmara. Notem que o termo “impeachment” não aparece uma única vez nas mais de mil páginas do relatório, mas a CPI já se articula com juristas, principalmente com o ex-ministro da Justiça Miguel Reale Jr., para uma comissão de professores e estudiosos lançar o pedido de impeachment de Bolsonaro, com base no relatório.

Há, portanto, todo um esforço da CPI para que as mais de 600 mil mortes e tudo o que aconteceu de macabro no País durante a pandemia não passem em branco, fiquem por isso mesmo, mas a vida é dura, não é mesmo? E não vai ser fácil furar os bloqueios da PGR, de um lado, e do presidente da Câmara, Arthur Lira, do outro.

Mas nem tudo está perdido. O que a política joga para debaixo do tapete a economia traz à tona: incompetência, desleixo, má-fé. Bolsonaro é uma ilha, cercado de desgraças por todo lado. E o principal culpado, como diz o relatório da CPI, é um só: ele mesmo. 

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Só faltava o presidente enterrar o teto de gastos, como fez com o Plano Real. Não falta mais. Paulo Guedes derreteu. Sua equipe bateu em retirada. Logo, a CPI não é o único flanco

Eliane Cantanhêde - O Estado de S.Paulo

Ao reagir ao relatório final da CPI da Covid imitando uma gargalhada tétrica do pai, o senador Flávio Bolsonaro mostra o quanto as verdades narradas em mais de mil páginas preocupam o núcleo do poder, inclusive porque o presidente Jair Bolsonaro já se debate num turbilhão de problemas que traga o Brasil e os brasileiros para o fundo do poço.

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