Reprodução Instagram Eduardo Bolsonaro
Reprodução Instagram Eduardo Bolsonaro

Antes de eleito presidente, Bolsonaro frequentava restaurantes de culinária gaúcha na capital

Paulista radicado no Rio, ele tomava café com serventes do prédio onde morava e era freguês de rodízio em Brasília

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

30 Dezembro 2018 | 15h04

BRASÍLIA - Paulista radicado na orla do Rio, o presidente da República eleito, Jair Bolsonaro, gosta mesmo é da culinária gaúcha. E da farta. Deputado federal há 27 anos, Bolsonaro é habitué de dois restaurantes à la carte em Brasília. Um de cortes nobres de carne, no antigo bairro operário da Vila Planalto; outro, um rodízio de galeto, à beira do Lago Paranoá.

Quando está na capital federal, o presidente eleito frequenta quase semanalmente um dos dois restaurantes, em geral, acompanhado do filho Eduardo Bolsonaro, carioca e deputado federal por São Paulo, namorado de uma gaúcha, e líder do PSL na Câmara.

O Gaúcho da Vila serve como estrela de um menu simples, mas especializado em carnes nobres, o assado de tira,  tradicional corte de costela uruguaio. O prato vem acompanhado de arroz carreteiro, feijão e feijão tropeiro, além de molhos vinagrete e chimichurri, tradicional . De entrada, a casa oferece linguiças de cordeiro e costela angus. Na galeteria Beira Lago, os Bolsonaro refestelam-se no rodízio de galeto à moda gaúcha, acompanhado de polenta frita, macarronada à bolonhesa, farofa e maionese de batata. As contas  desses almoços nos restaurantes foram pagas com verba pública da Câmara dos Deputados, reembolsadas ao gabinete de Bolsonaro e Eduardo.

Antes de se mudar para a Granja do Torto, uma das residências oficias da Presidência da República, Bolsonaro morou com o filho em um apartamento funcional na Asa Norte, no último bloco da quadra 202. Eduardo recebeu auxílio-moradia no período em morou no apartamento funcional com o pai. O edifício é antigo, com cobogós (criação pernambucana do final dos anos 1920, esse elemento vazado favorece a ventilação e a entrada de luz), pastilhas verdes no revestimento e janelões envidraçados na sala ampla em formato retangular, de frente para uma praça arborizada e erma. Tinha como vizinhos, dois andares abaixo, a deputada Tereza Cristina (DEM-MS), a quem indicou como futura ministra da Agricultura, e um adversário, o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).

Na primeira noite como presidente eleito, Bolsonaro chegou em comboio com batedores da PM, carros blindados da PF, além de ambulância do Corpo de Bombeiros e helicóptero. Os moradores foram à janela registrar o momento. Moradores e funcionários eram abordados antes de terem acesso ao elevador de entrada. Até o controle remoto de acesso à garagem foi confiscado. Os porteiros mantinham um formulário com registro e identificação dos visitantes, a pedido da administração. Antes, a PF fez uma varredura de segurança na quadra e de inteligência no apartamento, para verificar a existência de grampos, uma preocupação do presidente eleito.

Tido como linha dura, Bolsonaro era afável com os funcionários do prédio, que são terceirizados na Câmara. Logo que se mudou para o apartamento funcional, posou para fotos com o porteiro, que guarda o retrato no celular, e desceu para comer galinha caipira na cozinha improvisada no térreo. Costumava sentar com o filho Eduardo para bater papo à noite nos bancos de mármore branco, sob os pilotis. A rotina deles era pacata, com poucas saídas de casa. Desportista amador, Eduardo, de vez em quando, entrava na pelada com os adolescentes vizinhos na quadra ao lado do edifício. O pai tinha por hábito tomar café coado com as serventes da limpeza e oferecer frutas ao porteiro de plantão noturno. O presidente eleito aprecia o caqui. Sem cica.

A partir do dia 1º, o endereço de Bolsonaro passa a ser o Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente da República. O palácio passou por recuperação histórica, estimada em R$ 2,5 milhões, e voltou a ter o mobiliário pensando por Oscar e Anna Maria Niemeyer.

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