Rafael Carvalho/Governo de Transição
Rafael Carvalho/Governo de Transição

Após criticar Maia, Bolsonaro recebe presidente da Câmara no Planalto

Horas antes, em videoconferência com empresários, presidente criticou Maia por não indicar deputados favoráveis a medidas do governo para relatar projetos

Camila Turtelli e Jussara Soares, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2020 | 16h35
Atualizado 14 de maio de 2020 | 20h37

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro recebeu na tarde desta quinta-feira, 14, no Palácio do Planalto, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), horas após tê-lo criticado em reunião com aliados. O encontro foi articulado pelos ministros Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Braga Netto (Casa Civil), a pedido de Bolsonaro, com o objetivo de reaproximar o Executivo com o Legislativo.

"O Presidente da República desceu e me convidou para conversar e tomar um café. Aceitei, claro. Conversamos sobre o momento, como cada um vem encarando essa crise. O que eu disse a ele é que deveríamos encontrar os pontos que nos unem. Claro que todos têm o mesmo objetivo que é que o Brasil consiga enfrentar a crise, mas também olhar o pós-pandemia”, afirmou Maia em entrevista coletiva logo após o encontro, que durou menos de uma hora.

Horas antes, em videoconferência com empresários, Bolsonaro criticou Maia por não indicar deputados favoráveis a medidas do governo para relatar projetos. "De acordo para quem o comando da Câmara dá a relatoria, ele já sinaliza que não quer resolver nada. Parece que quer afundar a economia para ferrar o governo e talvez tirar um proveito político lá na frente", disse o presidente.

Questionado sobre as críticas, Maia não quis comentar. “Vamos construir caminhos para sair da crise. Não vou responder”, disse.

Pouco após o encontro, Bolsonaro disse que os dois "voltaram a namorar". A declaração foi dada de cima da rampa do Palácio do Planalto, onde o presidente apareceu para observar o movimento na Praça dos Três Poderes. Segundo Bolsonaro, está "tudo bem" entre ele e o deputado, com quem não se encontrava pessoalmente há meses. 

O encontro ocorre também após o presidente da Câmara repudiar a participação de Bolsonaro em manifestações antidemocráticas nos últimos dias. Maia tem sido alvo dos atos, organizado por apoiadores do governo.

Maia disse que demorou algumas semanas para responder o convite para o encontro com Bolsonaro, mas que sua obrigação, como presidente da Câmara, era manter o diálogo. “Foi esse o objetivo mostrar que queremos soluções para os problemas dos brasileiros”, disse. “Conflitos geram insegurança e perda da confiança da sociedade”, afirmou o deputado.

No encontro, ele relatou a pressão que há na Câmara para o adiamento do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), previsto para novembro, e disse que Bolsonaro se mostrou “sensível” ao tema. O ministro da Educação, Abraham Weintraub, é contra.

O deputado deixou a sessão da Câmara na tarde desta quinta-feira e seguiu para o segundo andar do Palácio do Planalto para visitar o Centro de Operações da Casa, comandado por Braga Netto. Na sequência, foi para o terceiro andar, onde fica o gabinete presidencial.

Em vídeo divulgado pela assessoria de comunicação do governo, Bolsonaro, sem máscara, encontrou Maia, mascarado, no corredor do terceiro andar do Palácio do Planalto. O deputado tentou cumprimentar o chefe do Executivo com o cotovelo, mas foi puxado para um abraço. Ramos e Braga Netto, ambos sem máscaras, aparecem na imagem. O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) também chegou, sem máscara, e cumprimentou Maia com o cotovelo.

Live

Em transmissão ao vivo no Facebook, o presidente disse que acertou algumas pautas com Maia durante o encontro desta quinta. "Ele levou o relator do projeto de lei que trata de mexida no código de trânsito, eu não li ainda o relatório final, mas foi atendida a questão de passar de cinco para 10 anos a validade da carteira de motorista", afirmou Bolsonaro.

O presidente citou ainda a obrigatoriedade de procurar uma clínica conveniada ao Detran e os 20 pontos por ano necessários atualmente para a suspensão da CNH. "Agora seu tio, pai, esposa sendo médico, assina ali e tá tudo bem, vai valer", disse o presidente. "O pessoal que trabalha no trânsito, caminhoneiro, motorista de ônibus, de van, taxista, uber, 20 pontos no ano é rápido. Estamos passando para 40 pontos. É um projeto muito bom, amanhã entro em contato com o Rodrigo Maia, que bota em votação com certeza na semana que vem."

O presidente afirmou que está com "saudade" da Câmara dos Deputados e pretende sancionar o projeto de lei na mesa de Maia. Segundo ele, outras "boas notícias" terão. "Nós nos acertando, pode ter certeza que a gente vai ser acertar cada vez mais. O Brasil está acima de mim e do Rodrigo Maia."  / COLABOROU BIANCA GOMES

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