Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Bolsonaro é ‘candidato inviável’ e Doria é 'político medíocre', diz Tarso Genro

Ex-governador do RS analisa cenário político para 2018; prefeito de São Paulo o chama de 'gestor irresponsável'

Elisa Clavery, O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2017 | 14h35

O ex-governador do Rio Grande do Sul e ex-ministro da Justiça Tarso Genro, do PT, disse ao Estado nesta terça-feira, 2, que o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) é “candidato inviável” para 2018 se não mudar o discurso político e se aproximar mais do centro. “Eu acho que, se o Bolsonaro não mudar o discurso dele, não ficar mais para o centro, ele é um candidato inviável”. Mais cedo, a BBC divulgou entrevista com o petista, que disse que o parlamentar “jamais terá, na sociedade brasileira, uma base eleitoral e política majoritária” que o torne presidente. Genro é líder da corrente Mensagem ao Partido, que busca reformulação da sigla.

“Minha avaliação é de que, numa democracia mais consolidada, também ocorre uma reação à extrema direita (além de apoio). Nenhum empresariado se aventuraria nessa circunstância, daria apoio para uma proposta desse tipo”, disse Genro ao Estado. “Levaria a uma polarização política e social no Brasil de muita gravidade”.

Genro minimizou o efeito das redes sociais, espaço onde o deputado federal tem forte apoio, numa candidatura. “Redes sociais não decidem eleições”, avaliou. E comparou a eleição americana de Donald Trump, perfil semelhante a Bolsonaro, com o cenário brasileiro. “A estrutura de classe da sociedade brasileira é muito diferente da americana. Nos Estados Unidos, temos uma classe trabalhadora típica da segunda revolução industrial sendo destruída pelos desempregados. Essa classe trabalhadora está indo para o desespero e, quando ela vai para o desespero, vai para o fascismo e o neofascismo, como ocorreu na Alemanha.”

Para Genro, a possibilidade de Bolsonaro chegar ao segundo turno ao lado de Lula, como indicam as recentes pesquisas eleitorais, ainda vai depender do candidato que será lançado pela centro-direita. “Quem vai repartir os votos (com Bolsonaro) é uma candidatura de centro direita e direita, não a candidatura da esquerda. A candidatura da esquerda tem uma base firme, que ronda hoje cerca de ⅓ e tende a crescer, não vai reduzir contingente eleitoral em função de uma candidatura do Bolsonaro”, disse, em referências às pesquisas Ibope e Datafolha, que mostram que Lula tem 30% de intenção de voto.

Questionado sobre o prefeito de São Paulo João Doria e a possibilidade de sua candidatura em 2018, Genro disse que prefere se aprofundar sobre o assunto “quando achar oportuno”. “Considero o João Doria um empresário medíocre, líder político medíocre, que só pode ser criado em um ambiente de exceção, de anormalidade, como está ocorrendo hoje no Brasil”, disse o petista.

Resposta. O prefeito de São Paulo respondeu, por meio de sua assessoria. "Considero Tarso Genro não apenas um político medíocre, mas também um gestor público irresponsável, pois ajudou a quebrar o Rio Grande do Sul. Ele só é uma voz no PT porque a maioria dos líderes do seu partido estão com problemas com a polícia e a Justiça", disse Doria.

Em seu perfil no Twitter, Bolsonaro respondeu à entrevista de Tarso publicada na BBC. “Falou o ‘sabichão’! Obrigado pela força, Tarso (PT)!”, escreveu o parlamentar. Procurada, a assessoria de Bolsonaro ainda não respondeu à reportagem.

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