Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Bolsonaro é alvo de panelaços até onde recebeu 80% dos votos em 2018

Veja o cruzamento de dados do mapa hiperlocal dos resultados das eleições, lançado pelo 'Estado', e dos locais onde foram registrados panelaços

Matheus Lara, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2020 | 12h04

Em crise diante da pandemia do coronavírus, o governo de Jair Bolsonaro passou a ser alvo de "panelaços" nesta semana até em regiões que garantiram ao presidente 80% dos votos no 2º turno contra Fernando Haddad (PT) em 2018.  Na quarta, os atos foram registrados em 22 capitais.

Estado cruzou dados de seu mapa hiperlocal dos resultados das eleições, lançado há dois anos, com as regiões onde foram registrados panelaços contra o presidente em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Na capital paulista, uma das regiões onde protestos foram ouvidos é o bairro do Morumbi, onde urnas chegaram a registrar 80,4% dos votos válidos para Bolsonaro na eleição. Moema (onde o então candidato  do PSL levou 76,8% dos votos), Jardins (75,2%), Vila Romana (74,8%) e Santana (74,7%) também registraram atos.

"Boa parte de quem saiu a bater panela foi a mesma classe média que bateu panela contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT)", analisa o cientista político Marco Konopacki, pesquisador do Instituto de Tecnologia e Sociedade e da New York University. "Essa classe média é sensível à expectativa econômica. O somatório de um PIB pequeno, com o derretimento da bolsa brasileira e o dólar batendo R$ 5,20 foi disruptivo para o voto de confiança que eles depositavam no governo até então."

No Rio, o cenário é parecido. Bolsonaro teve mais de 60% da preferência dos eleitores de bairros como Ipanema (67,3% contra 32,7% de Haddad) e Freguesia de Jacarepaguá (61,6%), e foi alvo de protestos. 

Bairros onde as urnas registraram vitória mais apertada para Bolsonaro também aparecem na lista dos locais em que moradores fizeram barulho contra o presidente. É o caso de Butantã, em São Paulo, onde algumas zonas eleitorais registraram vitória de Bolsonaro com 50,4% dos votos, e Santa Cecília (57,2%). No Rio, foi assim em Grajaú (52,9%) e Jardim Botânico (54,7%).

Santo Amaro, em São Paulo, e Laranjeiras, no Rio, são bairros que registraram atos contra Bolsonaro, mas que em 2018 algumas zonas mostraram vitória do candidato petista. 

Para cientistas políticos ouvidos pelo Estado, os panelaços são sinal de que o presidente Jair Bolsonaro enfraqueceu sua própria narrativa e que adversários já aproveitam a crise para se manifestar. Após o domingo, 15, em que atos pró-governo aconteceram nas ruas do País, grupos contrários a Bolsonaro convocaram os panelaços pelas redes sociais. 

Na quarta, 18, durante entrevista coletiva em Brasília, Bolsonaro disse que panelaços são um movimento "espontâneo" e uma "expressão da democracia".

Por quanto foi a vitória de Bolsonaro em regiões que hoje fazem 'panelaços'?

São Paulo

Barra Funda (71% x 29%)

Higienópolis (53,7% x 46,3%)

Butantã (50,4% x 49,6%)

Bela Vista (64,5% x 35,5%)

Jardins (75,2% x 24,8%)

Moema (76,8% x 23,2%)

Santa Cecília (57,2% x 42,8%)

Pinheiros (60,7% x 39,3%)

Vila Mariana (65,8% x 34,2%)

Vila Romana (74,8% x 25,2%)

Cambuci (70,9% x 29,1%)

Santana (74,7% x 25,3%)

Morumbi (80,4% x 19,6%)

Rio

Copacabana (56,6% x 43,4%)

Ipanema (67,3% x 32,7%)

Jardim Botânico (54,7% x 45,3%)

Freguesia de Jacarepaguá (61,6% x 38,4%),

Grajaú (52,9% x 47,1%)

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