Tiago Queiroz / Estadão
Tiago Queiroz / Estadão

Bolsonaro é alvo de 4º panelaço em uma semana

Moradores de ao menos 11 grandes cidades do País se manifestaram contra o presidente neste sábado

Bianca Gomes e Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2020 | 20h41
Atualizado 31 de março de 2020 | 23h00

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a ser alvo de protestos neste sábado, 21, em ao menos 11 grandes cidades do País:  São PauloRio de JaneiroBrasíliaSalvador, Belo HorizonteCuritibaFortalezaPorto AlegreRecifeFlorianópolis e Belém. É a quarta vez na semana que manifestantes convocam panelaços contra o presidente, que hoje completa 65 anos. A hashtag (palavra-chave) #PanelacoDeAniversario esteve entre os assuntos mais comentados do Twitter durante os atos.  

As manifestações deste sábado começaram por volta das 20h e foram planejadas pelas redes sociais, principalmente Twitter e WhatsApp. As frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, formadas por centenas de movimentos sociais, sindicais e partidos de esquerda, também convocaram o ato contra o presidente.

Em São Paulo, há relatos de manifestações nos bairros Bela Vista, Vila Mariana, Lapa, República, Vila Madalena, Vila Romana, Pompéia, Sumaré, Santa Cecília e Perdizes. Moradores projetaram imagens do presidente em prédios da capital com o escrito “Fora Bolsonaro” e “Bolsonaro Acabou”.

No Rio de Janeiro, moradores bateram panela em diversos locais da cidade. Na zona sul da cidade, os panelaços ocorreram em bairros como Laranjeiras, Cosme Velho, Flamengo, Botafogo, Jardim Botânico, Gávea e Copacabana

Os gritos também ecoaram na Tijuca, Grajaú e Praça da Bandeira, na zona norte, e em Niterói, na região metropolitana.

Há registro de panelaços também em várias quadras de Brasília: 303 norte, 406 norte, 210 norte, 309 sul. 

Em Salvador, o panelaço aconteceu em um menor número de localidades e com menos intensidade, em relação ao ocorrido na última quinta-feira. As manifestações verbais estavam divididas entre contra e a favor do governo Bolsonaro. Enquanto uns gritavam “Fora, Bolsonaro” e “Caiu, acabou”, outros aplaudiam e, em alguns casos, atacavam o PT com gritos como “Lula Ladrão”.

Moradores de Belo Horizonte voltaram às janelas de seus prédios e casas para protestar contra o governo neste sábado. Manifestações foram registradas em bairros como Serra, Carmo-Sion, Sagrada FamíliaLourdes Cruzeiro. Os moradores da cidade bateram panelas, acenderam e apagaram as luzes de seus apartamentos. Houve gritos de "Fora, Bolsonaro" e "Acabou, Bolsonaro". 

Em Florianópolis, capital de Santa Catarina, houve registro de moradores se manifestando no centro, na avenida Hercílio Luz, e na região da Carvoeira, nas imediações da Universidade Federal.

No centro de Curitiba também há registro de manifestações contra o presidente. 

Em Fortaleza, o som de panelas foi ouvido nos bairros CocóMessejana e Jacarecanga.

A capital do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, protestou contra o presidente Jair Bolsonaro no Centro Histórico e em bairros como Petrópolis, Rio Branco Cidade Baixa

No Recife, o panelaço ocorreu em ao menos quatro bairros: Aflitos, Boa Vista, Torre e Rosarinho.

Em Belém, moradores do bairro de Batista Campos foram até as janelas e bateram panelas como forma de protesto pela conduta do atual presidente do Brasil. O ato durou cerca de 15 minutos.

Crise

As manifestações contra Jair Bolsonaro ocorrem em meio à crise do novo coronavírus. Na última sexta-feira, 20, o presidente voltou a minimizar a pandemia da covid-19, que já matou mais de 10 mil pessoas no mundo, e tratou a doença como uma “gripezinha”

“Depois da facada, não vai ser uma gripezinha que vai me derrubar”, disse o presidente após o Estado questioná-lo, em entrevista no Palácio do Planalto, a razão de ele não tornar público os resultados dos seus exames.  

Neste sábado, no entanto, Bolsonaro disse reconhecer a seriedade do momento e o temor de muitos brasileiros ante à ameaça da doença. "É meu dever impedir que o pânico tome conta do País, o que complicaria ainda mais a situação. É com esse objetivo, de mostrar que superaremos este obstáculo, que tenho tratado a questão com coragem e tranquilidade. De forma alguma usarei do momento para fazer demagogia", escreveu o presidente em sua conta oficial no Twitter. 

Na quarta-feira, 18, diante da convocação de panelaços contra o seu governo, o mandatário classificou o movimento contra sua gestão como “espontâneo” e uma “expressão da democracia”. Ele ainda criticou a divulgação da imprensa sobre os atos e citou um panelaço a favor do governo, que ocorreram em ao menos oito capitais

Levantamento do Estado mostrou que o governo de Jair Bolsonaro passou a ser alvo de panelaços nesta semana até em regiões que garantiram ao presidente 80% dos votos no 2º turno contra Fernando Haddad (PT) em 2018. / COM FÁBIO BISPO, NATÁLIA MELLO E REGINA BOCHICCHIO, ESPECIAIS PARA O ESTADO

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