Adriano Machado/Reuters
Adriano Machado/Reuters

Bolsonaro diz querer vice que o 'ajude' caso seja reeleito

'Não é fácil estar na Presidência, muitas vezes, sozinho', afirmou o mandatário; não é a primeira vez que ele demonstra desarmonia com o vice Hamilton Mourão

Lucas Melo, especial para o Estadão

19 de dezembro de 2021 | 16h49

O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse neste domingo, 19, que o general Hamilton Mourão pode “até” ser seu vice novamente na chapa que irá compor para 2022, mas que vai optar por um nome que o “ajude”, já que, segundo ele, “não é fácil estar na Presidência, muitas vezes, sozinho”. A declaração foi feita em Praia Grande, no litoral paulista, região onde o mandatário passa este fim de semana. 

Bolsonaro e Mourão demonstram desarmonia desde a campanha presidencial de 2018, mas a tensão entre eles se acentuou durante o governo. O chefe do Planalto já negou pedidos do vice — por exemplo, deixando-o de fora de comitivas oficiais — e ambos já fizeram críticas um ao outro publicamente. Em julho deste ano, o presidente disse que Mourão “atrapalha um pouco”, mas que ele tem de aturar.

“O pessoal dá tapinhas nas costas quando tem medida positiva. Quando tem uma salgada, ninguém quer ficar ao seu lado”, afirmou o presidente neste domingo. Em artigo publicado hoje no Estadão, Mourão defendeu o fim do "nós contra eles" e argumentou que o importante para 2022 "é um projeto de país que contemple todos os brasileiros, e não um projeto de poder".

Durante a entrevista em Praia Grande, o chefe do Executivo ouviu um “Lula 2022”. Logo após, apoiadores do chefe do executivo vaiaram a pessoa responsável pelo protesto e gritaram “na cadeia” em resposta.

Bolsonaro disse ainda que vai evitar “oportunistas” — pessoas que, segundo ele, fingem apoiá-lo "desde criancinha” visando palanque eleitoral — ao costurar acordos para os governos estaduais no ano que vem. “Muita gente quer entrar no partido (PL), mas poucos entrarão”, disse. A filiação do presidente à legenda de Valdemar Costa Neto levou no bojo alguns de seus seguidores fiéis, como o filho e senador Flávio Bolsonaro e o ministro do Trabalho e Previdência, Onyx Lorenzoni

Bolsonaro confirmou que vai apoiar o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, para o governo de São Paulo; para Santa Catarina, o escolhido será o senador Jorginho Mello, do PL; e para Goiás, o deputado federal Major Vitor Hugo (PSL). O mandatário também afirmou que vai exercer "bastante" influência nas candidaturas ao Senado. 

Anvisa

O presidente voltou a criticar a decisão da Anvisa que autorizou a aplicação da vacina da Pfizer em crianças de 5 a 11 anos. O assunto movimentou o governo na última semana. Na quinta-feira, 16, o Ministério da Saúde declarou que vai analisar a decisão da agência antes de acatá-la.

“Vacina em crianças, só com autorização dos pais. Se algum prefeito ou governador ditador quiser impor é outra história", disse o presidente.

Bolsonaro revelou ter telefonado para o ministro Marcelo Queiroga, da Saúde, para dar diretrizes sobre o assunto. "Obviamente, ele é quem bate o martelo por ser o médico da equipe", afirmou o chefe do Planalto, dando a entender que ele e o ministro da Pasta estão em concordância nesse quesito.

Na última quinta-feira, Bolsonaro intimidou técnicos da agência e ameaçou divulgar os nomes de quem foi favorável à aprovação. Em resposta, o presidente da Anvisa afirmou que a informação já está disponível nos portais da transparência do governo. Hoje, o presidente disse em tom de ironia que "quem faz um ato 'delitoso' tem que se apresentar para ganhar medalha".

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