Rosinei Coutinho / STO / STF
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Bolsonaro diz que vai anular recontratação de assessor que fez 'voo particular' com avião da FAB

Vicente Santini usou um voo da Força Aérea Brasileira para viajar à Índia, foi exonerado da Casa Civil e chegou a ser nomeado para outro cargo no ministério

Luci Ribeiro, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2020 | 07h57

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro escreveu no Twitter nesta quinta-feira, 30, que vai "tornar sem efeito" a admissão do ex-número 2 da Casa Civil, Vicente Santini, em novo cargo. É a segunda exoneração de Santini em uma semana. Em 12 horas, a reação negativa nas redes sociais forçou o presidente a recuar da recondução, que havia sido pedida pelo seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Na saída do Palácio da Alvorada, nesta manhã, Bolsonaro não quis comentar a decisão e disse que o que tem para falar está em suas redes sociais.

Nesta quinta-feira, 30, governo confirmou a anulação da nomeação de Santini para um segundo cargo na Casa Civil. O decreto que torna sem efeito a nomeação dele como assessor especial da pasta foi publicado nesta tarde em edição extra do Diário Oficial da União (DOU). Santini foi exonerado pela primeira vez por Bolsonaro do cargo de secretário-executivo da Casa Civil na quarta-feira, 29. O presidente não gostou de ele ter usado um voo da Força Aérea Brasileira para viajar à Índia. Logo depois, Santini foi nomeado novamente para outro cargo na Casa Civil. Ele seria assessor especial da Secretaria Especial de Relacionamento Externo da Casa Civil. Agora o presidente está dispensando o servidor também da nova função.

No cargo de número 2 da Casa Civil, de natureza especial, Santini recebia um salário bruto de R$ 17.327,65 mensais. No novo cargo, de categoria DAS 102.6, a remuneração prevista seria de R$ 16.944,90 (R$ 382,75 a menos).

Após a primeira exoneração e nomeação no novo cargo, a Casa Civil disse em nota que "o presidente (Bolsonaro) e Vicente Santini conversaram, e o presidente entendeu que o Santini deve seguir colaborando com o governo".

Voo e exoneração

Vicente Santini utilizou voos da Força Aérea Brasileira (FAB) para acompanhar comitivas do governo em viagens oficiais à Suíça e à Índia. Ele viajou na condição de ministro em exercício, já que o titular da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, estava em férias.

Bolsonaro ficou irritado e argumentou que Santini poderia ter viajado em voo comercial, como outros ministros fizeram. A Força Aérea Brasileira (FAB) e a Casa Civil afirmaram que o voo cumpriu as disposições legais, mas Bolsonaro classificou o ato como "imoral".

"O que ele (Santini) fez não é ilegal, mas é completamente imoral. Ministros antigos foram de avião comercial, classe econômica", afirmou o presidente.

PPI

Ainda no Twitter, o presidente também afirmou que vai exonerar o secretário-adjunto da Casa Civil, Fernando Moura, que ficou no lugar de Santini quando foi exonerado pela primeira vez. Além disso, Bolsonaro afirmou que vai transferir o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) da Casa Civil para o Ministério da Economia.

O PPI foi para a Casa Civil como uma recompensa a Onyx quando ele perdeu a articulação política para a Secretaria de Governo, de Luiz Eduardo Ramos.

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