Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Bolsonaro diz que seus exames saem com nome ‘fantasia’

Presidente se negou a divulgar o conteúdo de seus testes, que, segundo ele, deram negativo para o coronavírus

Felipe Frazão, Julia Lindner e Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2020 | 19h20
Atualizado 27 de março de 2020 | 21h52

Resistente a divulgar os exames que fez para o novo coronavírus, o presidente da República, Jair Bolsonaro, disse que usou um nome codificado para realizar os testes e, por isso, o resultado poderia ser contestado. Ele argumentou adotar a prática há anos, inclusive para encomendar remédios de manipulação, com o objetivo de evitar contaminações. 

“Vamos lá. Há alguns anos, de vez em quando eu uso um medicamento que é feito em farmácia de manipulação. O que eu falo para o médico? Coloca um nome de fantasia porque pode na ponta da linha meia dúzia de pessoas manipular em algo que vou ingerir e alguém que coloque uma dose um pouco a mais no medicamento”, disse o presidente em entrevista ao Programa Brasil Urgente.

“Aqui é a mesma coisa. Os testes que eu faço são com códigos. Quando você mostrar o código, o pessoal vai falar que é mentira. Da minha parte não tem problema nenhum”, alegou Bolsonaro.

O presidente disse que fez dois exames até o momento, que ambos deram negativo, e que só fará o terceiro se apresentar sintomas da covid-19, como tosse e febre. “Fiz dois exames (para covid-19), ambos deram negativo. Se quiser a máquina da verdade, pode colocar a máquina para analisar”, afirmou.

Ele também defendeu que exames fazem parte da intimidade de cada pessoa e não há obrigação de expor o documento. Ao final da entrevista, Bolsonaro tossiu e foi questionado se não seria um sintoma. Ele justificou que tossiu porque possui refluxo.

Bolsonaro realizou exames no Hospital das Forças Armadas, em Brasília, que mantém em sigilo nomes de pacientes que fizeram o teste no local.

O governador Ronaldo Caiado (DEM-GO) afirmou nesta semana que se trata de uma obrigação do presidente apresentar seu exame à sociedade. “Lógico, todos nós, como homens públicos, temos de apresentar os resultados. Isso é uma obrigação como gestor público”, disse ele.

O Estado pede há duas semanas acesso ao testes para o novo coronavírus. “A lei garante para qualquer um de nós o sigilo dessas informações”, respondeu ao Estado. “Você dorme comigo? Acabou essa pergunta. Estou bem. Vocês estão torcendo para eu estar mal. ‘Ah, pegou o vírus dia 15, irresponsável’. Perdeu.”

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